Trump diz que Lula pediu sua neutralidade nas eleições

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Trump revelou que Lula pediu que ele não tomasse partido nas eleições brasileiras, mas mesmo assim classificou o pleito como uma "desgraça"
O presidente Donald Trump afirmou, nesta quinta-feira (29/10), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu a ele que mantivesse neutralidade nas eleições brasileiras, sem demonstrar apoio a nenhum candidato. Apesar de ter atendido ao pedido, Trump classificou o processo eleitoral do país como uma "desgraça" e disse que pretende conversar com o petista sobre o assunto.
O líder norte-americano revelou ter acompanhado o pleito brasileiro de longe, mas deixou claro que sua postura foi influenciada pelo próprio Lula. "Não quero comentar sobre isso agora, mas eu acho que as eleições foram um grande constrangimento para o povo do Brasil. Eu assisti à eleição e eu não tomei partido. Eu deixei acontecer. O atual presidente me pediu para não tomar partido. Eu não tomei partido. Mas quando eu assisti o que aconteceu no Brasil foi uma desgraça", disse Trump.
Os dois líderes já haviam discutido o tema eleitoral em agosto, quando Lula ligou para Trump. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o republicano "fez uma referência superficial ao processo eleitoral" em curso no Brasil. Em resposta, Lula afirmou que o processo transcorria de forma tranquila, que havia diversos candidatos na disputa pela Presidência da República e que o sistema eleitoral brasileiro é seguro. O presidente brasileiro disse ainda que estava tudo em ordem no país. Após isso, Trump não teria feito comentários adicionais sobre o assunto.
As eleições brasileiras que reelegeram Lula ocorreram no último domingo (25/10) e o governo norte-americano, até o momento, não se manifestou oficialmente sobre o resultado do pleito. Em meio a esse silêncio, o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula nas eleições, viajou para os Estados Unidos, onde chegou na quarta-feira (28/10). O político mantém uma aproximação com a gestão trumpista e chegou a ser recebido pelo presidente norte-americano na Casa Branca neste ano. Quando questionado sobre quem reconhecia como "legítimo presidente do Brasil", Trump preferiu não responder. Após chegar em Miami, Flávio Bolsonaro publicou uma carta com críticas ao sistema eleitoral brasileiro, na qual se autointitulava "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Horas depois, o senador publicou uma nova versão do texto, substituindo a expressão por "líder do Brasil".