Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro é "caótico", diz imprensa internacional

O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado pela Band - Foto: Band / Reprodução
Imprensa internacional repercute o primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, marcado por ataques e acusações mútuas
O primeiro debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo (18) pela Band, repercutiu amplamente na imprensa internacional. Os dois candidatos, que até então não haviam se enfrentado diretamente na eleição presidencial, aparecem empatados na corrida eleitoral, de acordo com o agregador de pesquisas da BBC News Brasil, a uma semana da votação final.
A cobertura estrangeira foi marcada por termos como "caótico" e "tenso" para descrever o embate. Veículos da França, Argentina, Espanha e Catar destacaram as trocas de acusações, provocações e ataques pessoais que dominaram o confronto entre os dois candidatos.
A versão em inglês do jornal francês Le Monde noticiou que Lula e Flávio Bolsonaro "trocaram insultos" durante o debate. "Um embate caótico entre os dois candidatos — que, em diversas ocasiões, chamaram um ao outro de mentiroso, acusaram-se mutuamente de corrupção e trouxeram à tona vários escândalos — sintetizou o tom de uma campanha eleitoral acirrada em uma nação profundamente polarizada", afirmou o jornal francês.
O Le Monde também destacou a postura de Flávio Bolsonaro, que teria tentado desestabilizar Lula ao longo do debate "ao caminhar de um lado para o outro atrás dele durante todo o debate, sob o olhar das câmeras, balançando a cabeça, exibindo um sorriso irônico e demonstrando escárnio enquanto o adversário falava".
Sobre Lula, o jornal observou que ele, "que, aos quase 81 anos, busca um quarto mandato no poder, se esforçou para controlar sua irritação em alguns momentos e pediu repetidamente aos espectadores que 'pesquisassem no Google' para comprovar que seu adversário estava mentindo".
O jornal argentino Clarín descreveu o debate como marcado por um "clima de tensão". Segundo o veículo, "os dois candidatos trocaram acusações de suposta corrupção, com o presidente Lula tentando assumir a dianteira — uma estratégia para recuperar pontos junto ao eleitorado após ter perdido, de forma surpreendente, o primeiro turno".
O Clarín ainda apontou que, "no primeiro embate direto, o presidente associou seu rival aos interesses dos EUA e também o vinculou à 'motosserra' do [presidente] argentino Javier Milei. Bolsonaro recorreu a denúncias de corrupção no governo do líder do PT".
O também argentino La Nación destacou que "Milei e a corrupção marcaram o debate áspero entre Bolsonaro e Lula". Para o jornal, "mais do que um confronto de ideias, foi uma troca de acusações mútuas, golpes baixos e provocações, na qual ambos apostaram na mesma estratégia: aumentar a rejeição ao adversário. Houve pouquíssimas propostas e pouco debate sobre políticas públicas".
O La Nación concluiu que "o debate terminou rendendo vários trechos para as redes sociais de ambos os candidatos, mas sem provocar um deslize ou erro decisivo que pusesse a balança a pender para um lado".
O jornal espanhol El País descreveu o confronto com a manchete "um Lula tecnocrata diante de um Bolsonaro provocador", afirmando que "os candidatos protagonizam um confronto de alta tensão, no qual o senador buscou irritar um presidente que desperdiçou a oportunidade de romper o empate".
Em outra reportagem, o mesmo veículo afirmou que "[Flávio] Bolsonaro tentou encurralar Lula com acusações de suposta corrupção ligadas ao seu filho e ao seu partido, enquanto o presidente, irritado, acusou-o de ter ligações com o crime organizado, chamou-o de mentiroso e afirmou que ele participou de conspirações nos EUA".
A rede do Catar Al Jazeera informou que os candidatos "trocaram uma série de ataques pessoais durante o primeiro debate". Segundo o veículo, "Lula chamou [Flávio] Bolsonaro de 'mentiroso contumaz' e 'bandido', e, no palco, manteve distância física do candidato — a quem classificou como 'miliciano', em alusão aos seus supostos vínculos com grupos paramilitares do Rio de Janeiro".
A Al Jazeera também registrou a resposta de Flávio Bolsonaro: "[Flávio] Bolsonaro, que liderou o primeiro turno da eleição com 47% contra 45% de Lula, disse que era melhor manter Lula à distância, 'porque minha carteira poderia ser roubada'".
O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro foi amplamente retratado pela imprensa internacional como um confronto dominado por ataques pessoais e acusações mútuas, com pouco espaço para propostas concretas, em meio a uma eleição presidencial marcada pela polarização e pelo equilíbrio nas pesquisas.