Campanha de Lula cria canal contra censura nas redes

Campanha de Lula reúne denúncias de apoiadores sobre restrições nas plataformas da Meta e aciona TSE e ANPD
A campanha à reeleição do presidente Lula (PT) criou um canal digital para receber denúncias de apoiadores que alegam ter sofrido censura nas redes sociais. A iniciativa busca reunir relatos de remoção de publicações, bloqueio de contas e restrições de alcance, especialmente nas plataformas da Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook.
O site permite que os usuários descrevam os episódios e apresentem detalhes sobre as supostas limitações impostas. De acordo com a campanha, as informações serão compiladas para identificar possíveis irregularidades e encaminhadas à Justiça Eleitoral, com pedidos de providências. "Se você teve conteúdos removidos, sua conta bloqueada ou sofreu restrições de alcance, publicação ou impulsionamento nas redes sociais, faça sua denúncia. Estamos reunindo denúncias para identificar possíveis irregularidades e garantir mais transparência e igualdade de condições nas plataformas digitais durante as eleições", diz o texto publicado no canal. No último sábado (10/10), a campanha petista anunciou que decidiu acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) contra a Meta.
O partido acusa a empresa de possível interferência no processo eleitoral brasileiro e levanta a hipótese de que as falhas tenham favorecido a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Entre os casos apresentados pelos petistas estão a retirada do perfil de Lula do mecanismo de buscas do Instagram em dezembro do ano passado; a indisponibilidade da conta de anúncios do presidente durante o primeiro turno das eleições deste ano; uma interrupção no número de visualizações e curtidas de vídeos de Lula em 8 de outubro; e o impedimento de impulsionar publicações no Instagram em 9 de outubro. Segundo a campanha, a Meta atribuiu os episódios a "problemas técnicos". Para os petistas, a repetição das falhas e a ausência de explicações detalhadas levantam suspeitas sobre a atuação da empresa durante a disputa eleitoral. "A sucessão de problemas técnicos não explicados pela empresa levanta forte suspeita de que a ação da Meta se configure como uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro, em benefício à candidatura de Flávio Bolsonaro.
A completa ausência de transparência nos sistemas da empresa faz com que essas explicações sejam escassas e opacas. A empresa precisa se explicar", afirmou a campanha em nota. Em resposta, a Meta negou as alegações do grupo petista e classificou as acusações como "falsas" e "sem respaldo nos fatos". "Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos", declarou a empresa.