Em ato no Rio, Lula chama eleição de luta contra "quadrilha do banco Master"

Em carreata no Rio, Lula atacou Flávio Bolsonaro, defendeu o fim da escala 6 por 1 e pediu vitória no primeiro turno
Na reta final da campanha pela reeleição, o presidente Lula (PT) realizou uma carreata no centro do Rio de Janeiro e afirmou que a eleição deste ano representa a "luta da seriedade, de homens que têm biografia com a luta, contra aquele que faz orgia, aqueles que não medem qualquer comportamento de caráter". O discurso foi uma referência direta às suspeitas de traição e participação em orgias com garotas de programa envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), reveladas na semana passada por uma reportagem do site PlatôBR com base em mensagens do celular de um ex-sócio do parlamentar. Sobre a caçamba de uma caminhonete, Lula cruzou parte do centro da capital fluminense acompanhado por eleitores que caminharam entre a Candelária e a Cinelândia. Durante o percurso, o presidente discursou em quatro momentos distintos: no primeiro, pediu calma aos apoiadores; no segundo, pediu votos a aliados e associou Flávio Bolsonaro às orgias; no terceiro, falou contra as bets e a escala de trabalho 6 por 1; e no quarto, agradeceu e se despediu. "A gente não pode permitir que a quadrilha do banco Master volte a governar este país", declarou Lula durante a carreata.
O presidente também relembrou a defesa feita por Flávio ao policial militar Bruno Dias Delaroli. "A gente não pode permitir que esse país eleja uma pessoa que, sendo senador da República, foi defender um policial que matou uma menina de 5 anos de idade", afirmou. Lula convocou os eleitores a convencerem os idosos a votar, mesmo sendo o voto facultativo para quem tem mais de 70 anos, argumentando que é importante que as pessoas mais velhas deixem um país melhor para filhos e netos. "Estou convencido de que a gente vai ganhar as eleições no domingo. Não há porque ter segundo turno se a gente pode matar a desgraça no primeiro turno. E é domingo que a gente vai ter que ganhar essas eleições", disse.
O presidente também comentou brevemente a ausência no debate da TV Globo, que estava marcado para a noite anterior, mas não foi realizado. "Ontem, vocês viram o que aconteceu com a Globo. A Globo até agora está pensando no que aconteceu. Que o Lula não veio no debate, e o podcast de que eu participei teve mais audiência do que a novela. Uma demonstração de que, se a gente tiver coragem, se a gente tiver determinação, a gente não é manipulado pelos meios de comunicação", declarou. O ato contou com a presença dos candidatos ao Senado apoiados por Lula no Rio, Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD).
Quando o carro de som tocava o jingle do candidato do PSD, parte do público presente vaiava. Outra candidata ao Senado pelo campo progressista, Mônica Benício (PSOL), participou da caminhada, mas não ao lado de Lula. Pedro Paulo, aliado histórico de Eduardo Paes (PSD), candidato ao Governo do Rio, enfrenta resistência de muitos eleitores por ter admitido ter agredido a ex-mulher no passado. Após seu discurso, parte da população o vaiou intensamente e gritou o nome de Mônica Benício. Em meio às vaias, Lula tomou o microfone para pedir calma. "Temos mulheres e crianças aqui. Se essa é a caminhada da vitória, precisamos de todos vocês bem para poder votar", disse. Um vidro de um ponto de ônibus chegou a quebrar enquanto a população tentava se aproximar do presidente.
Ao mesmo tempo, Lula reforçou seu posicionamento contra o fim da escala de trabalho 6 por 1 sem redução de remuneração, uma das principais bandeiras de sua campanha. "Somos da geração que lutou para acabar com a escala 6 por 1", afirmou. "O que está em jogo não é a vitória de um homem, é a vitória de uma ideia, é a vitória de uma democracia. Ou a gente consolida a democracia, ou ela vai acabar", declarou Lula durante a carreata. Ao pedir para a população não se empurrar, o presidente defendeu que os eleitores direcionassem sua energia para a candidatura adversária. "Eles criaram a quadrilha da Previdência e nós prendemos a quadrilha da Previdência. Eles criaram a quadrilha do Vorcarco e nós desmontamos a quadrilha do Vorcaro", afirmou. "Agora, é ganhar as eleições. Ninguém pode se machucar, porque precisamos do voto de todos vocês", completou. Já no fim do ato, em frente ao Museu Nacional de Belas Artes, Lula se despediu pedindo vitória no primeiro turno tanto no âmbito federal quanto estadual. "Bet nunca mais! Jornada 6 por 1 nunca mais! Quadrilha do Vorcaro nunca mais! Quadrilha da Previdência nunca mais!", declarou. A primeira-dama, Janja da Silva, encerrou o evento com um aceno às mulheres, destacando a importância delas para a vitória nas eleições.