MG: Suspeito de matar pai e filha de 5 anos tem prisão convertida em preventiva

Suspeito de matar pai e filha de 5 anos a tiros na MG-030 tem prisão convertida em preventiva pela Justiça de Minas Gerais
A Justiça de Minas Gerais converteu em preventiva a prisão em flagrante de Lucas, suspeito de matar um homem e sua filha de 5 anos durante um ataque a tiros na rodovia MG-030, em Rio Acima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A decisão foi tomada na terça-feira (6/10), durante audiência de custódia realizada pela 1ª Vara Criminal e da Infância e Juventude de Nova Lima. De acordo com os autos, a Polícia Militar foi acionada após relatos de tiroteio nas proximidades da estrada de Rio de Peixe. No local, os militares encontraram um Fiat Uno fora da pista, após colidir contra uma cerca e a vegetação. O motorista estava aparentemente sem sinais vitais, enquanto uma mulher se encontrava próxima ao veículo com a filha de 5 anos, também atingida pelos disparos.
A criança foi socorrida e encaminhada a um hospital em Rio Acima, mas sofreu parada cardiorrespiratória e não resistiu. Conforme o relato registrado no processo, a mãe informou aos policiais que o carro havia sido seguido por outro veículo, que se aproximou e efetuou cerca de oito a dez disparos antes de fugir. Segundo os elementos apresentados à Justiça, a mãe da criança apontou Lucas como autor dos disparos. Ela relatou que ele teria ameaçado o motorista de morte dois dias antes, durante uma sessão do Tribunal do Júri em que a vítima havia sido absolvida.
A decisão registra que os dois homens já tinham um conflito anterior. Conforme consta no processo, o motorista havia sido acusado de tentar matar Lucas em outro episódio, o que teria motivado a rivalidade entre eles. Para a juíza Anna Paula Vianna Franco Carvalho, os elementos reunidos até o momento indicam que o ataque pode ter sido uma retaliação após a absolvição no julgamento. A magistrada destacou ainda que a criança estava no veículo no momento dos disparos e classificou a dinâmica descrita nos autos como de elevada gravidade.
Ao converter a prisão de Lucas em preventiva, a magistrada considerou que medidas cautelares alternativas não seriam suficientes. "É imprescindível ressaltar a gravidade concreta dos fatos, na medida em que os elementos até aqui coligidos indicam possível retaliação pelo resultado de um julgamento legitimamente realizado, em afronta direta às instituições e à autoridade da decisão soberana do Conselho de Sentença. Ademais, o falecimento de uma criança de apenas cinco anos de idade, alvejada em contexto de perseguição, sem que ela ou seus genitores tivessem qualquer chance de reação, evidencia o altíssimo grau de reprovabilidade da conduta e a periculosidade concreta de Lucas, que, em tese, não hesitou em atingir pessoa absolutamente indefesa", entendeu a juíza.
Durante a audiência de custódia, Lucas afirmou ter sido agredido por policiais no momento da prisão. A Justiça determinou a realização de exame de corpo de delito e comunicou o caso à Corregedoria da Polícia Militar e ao Ministério Público, para apuração no âmbito do controle externo da atividade policial. A decisão determinou ainda que o Conselho Tutelar de Rio Acima verifique a situação dos filhos de Lucas, que informou ser o responsável exclusivo por dois deles. O processo segue em investigação, e a prisão preventiva não representa condenação.