Brasileiro grava momento em que míssil russo atinge prédio na Ucrânia

Brasileiro voluntário no Exército ucraniano registrou o momento em que projétil atingiu o prédio onde estava hospedado
O brasileiro Lucas Candido, voluntário no Exército da Ucrânia, registrou nas redes sociais o exato momento em que um míssil russo atingiu o prédio onde estava hospedado, na cidade de Kharkiv, no nordeste do país. O vídeo, publicado pelo próprio Lucas, rapidamente viralizou e expôs os riscos enfrentados pelos brasileiros que atuam como voluntários no conflito.
Além de Lucas Candido, outros dois brasileiros identificados como Thiago e Gabriel também estavam no apartamento no momento da explosão. Os três costumam compartilhar nas redes sociais o cotidiano da guerra entre Ucrânia e Rússia, que já dura mais de quatro anos.
"Colegas estão quase todos feridos, minha perna está machucada, mas estamos bem, graças a Deus. Infelizmente, a Rússia é assim, covarde", escreveu Gabriel em publicação no Instagram após o ataque.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil desaconselha o ingresso e a permanência de brasileiros na Ucrânia como voluntários, alertando que a assistência consular nesses casos pode ser severamente limitada pelos contratos firmados entre as partes.
"Não há obrigatoriedade por parte do poder público para o pagamento de passagens ou o custeio de retorno de cidadãos do exterior. Nesse sentido, recomenda-se fortemente que convites ou ofertas de trabalho ou de participação em exércitos estrangeiros sejam recusadas", reforça o Itamaraty.
O governo brasileiro também lembra que brasileiros nessa situação estão sujeitos a responder judicialmente por crimes cometidos em território estrangeiro, quando o Brasil se obrigou, por tratado ou convenção internacional, a prevenir ou impedir tais atos.
Os dados mais recentes sobre brasileiros envolvidos no conflito indicam que ao menos 127 compatriotas foram mortos ou estão considerados "desaparecidos em combate", sendo 32 mortos e 95 sumidos.
No cenário diplomático, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um "cessar-fogo energético" entre as partes após firmar um acordo com o presidente russo Vladimir Putin para fornecimento de diesel ao mercado americano. Antes do anúncio, Trump havia criticado o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky por ataques a refinarias russas e chegou a afirmar que a Ucrânia "deveria ter um novo presidente". Zelensky, por sua vez, respondeu dizendo que aceitaria eleições no país caso houvesse uma trégua total de 60 dias.
Em publicação recente, Zelensky afirmou que a Ucrânia cumpriu sua parte no acordo. "A Ucrânia não realizou ataques contra o refino de petróleo nem contra a energia russa em geral durante dois dias a partir do momento em que o Presidente da América anunciou o cessar-fogo no setor energético. Mas a Rússia não ouviu o Presidente da América. Durante esse período, os russos atacaram tanto as nossas instalações de energia quanto a nossa infraestrutura crítica, dando sinais absolutamente claros de que não pretendem se abster de realizar ataques contra a Ucrânia", declarou o líder ucraniano.
O governo russo, por sua vez, não confirmou oficialmente que acatou o cessar-fogo anunciado por Trump. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os contatos sobre o tema "estão em andamento". "Assim que tivermos alguma novidade sobre o assunto, certamente informaremos vocês", disse Peskov, citado pela agência estatal russa TASS.
A guerra entre Rússia e Ucrânia teve início em fevereiro de 2022.