Tenente da PM dispara dentro de loja em BH e é preso em flagrante

Arma de fogo | Revólver | Disparo | Tiro - Foto: Pixabay/Reprodução
Gerente de loja de informática em Belo Horizonte relata agressões e disparo feito por tenente da PMMG dentro do estabelecimento
Um comerciante de 41 anos busca justiça após um tenente da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) efetuar um disparo de arma de fogo dentro de uma loja de informática no bairro Lourdes, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
O militar, de 46 anos, foi preso em flagrante e, segundo o gerente da loja, Leonardo Lisboa, teria tentado matá-lo durante o confronto.
O episódio ocorreu na tarde de terça-feira (27), quando o policial, que estava de folga e é lotado no 18º Batalhão, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, se dirigiu ao estabelecimento na Rua Curitiba alegando que um notebook anunciado para venda pela loja era de sua propriedade e havia sido roubado.
A confusão teve início quando o militar questionou a procedência do equipamento. De acordo com Leonardo Lisboa, o tenente fez ameaças, agrediu o comerciante e disparou em sua direção.
A ocorrência levou mais de um dia para ser encerrada na delegacia. Na noite de quarta-feira (28), pouco depois de deixar a delegacia, Leonardo Lisboa conversou com a reportagem e descreveu o que viveu.
"Acabei de sair da delegacia. Fiquei um dia e meio lá, sem dormir e comer direito, tudo por causa de uma atitude de delinquente, não de um profissional. Sou filho de um policial, não é essa cultura", afirmou.
Segundo Leonardo Lisboa, o tenente chegou ao estabelecimento alterado, ameaçando fechar a loja, prender as pessoas presentes e agredir funcionários.
O gerente disse que se apresentou e tentou acalmar o militar, mas a situação evoluiu para ofensas e agressões físicas. "Me apresentei, pedi calma, pedi educação. Aí trocou palavras de baixo calão. Falei que ia mostrar tudo para ele, que lá não tinha nada de irregular. Foi aí que ele me desferiu um tapão no rosto e começou a agressão física", relatou.
Leonardo Lisboa afirmou que também reagiu durante a confusão. Após a troca de agressões, o policial teria passado a provocá-lo para uma briga. O gerente conta que pegou uma garrafa de água e a arremessou contra o militar. "Eu estava meio exaltado, peguei uma garrafa de água, dei a volta por trás da loja e taquei nele. Só que, quando passo por trás da loja, ele já saca a arma", contou.
De acordo com Leonardo Lisboa, o tenente apontou a arma em sua direção e disparou. O projétil teria passado a poucos centímetros de sua barriga e atingido o chão. O gerente contesta a possibilidade de o disparo ter sido apenas uma tentativa de intimidação, afirmando que o militar tinha a intenção de matá-lo. A dinâmica do ocorrido e as circunstâncias do disparo deverão ser apuradas pelas autoridades.
Além das consequências físicas e emocionais, Leonardo Lisboa relatou que o confronto causou danos materiais e prejuízos ao funcionamento do estabelecimento. Equipamentos foram danificados, um computador foi quebrado e uma corrente de ouro foi arrebentada durante a briga. A loja também perdeu um dia de trabalho e uma funcionária pediu demissão após o episódio.
"Foi aterrorizante. Meus advogados estão em cima, tanto na Justiça Militar, na Corregedoria quanto na Justiça comum. Tudo isso a gente vai colocar no processo", declarou.
Leonardo Lisboa foi ainda mais enfático ao falar sobre o futuro do militar: "Que esse indivíduo não faça parte da corporação da Polícia Militar, porque ele não é exemplo para ninguém".