Pesquisa: 12% dos casos de câncer do mundo estão associados a infecções

Cinco agentes infecciosos respondem por 2,3 milhões de casos de câncer ao ano, com Helicobacter pylori no topo da lista
Cerca de 12% dos casos de câncer no mundo estão associados a infecções, o que representa aproximadamente 2,3 milhões de diagnósticos em um único ano, segundo novo estudo publicado na revista "The Lancet Oncology". A análise revela que apenas cinco agentes infecciosos concentram quase todos esses casos, entre eles uma bactéria comum no estômago e vírus já conhecidos por causar doenças crônicas. A bactéria Helicobacter pylori lidera a lista, sendo responsável por cerca de 4% dos casos de câncer no mundo, o equivalente a 760 mil diagnósticos. Embora seja comum e muitas vezes não cause sintomas, a Helicobacter pylori pode provocar úlceras e, em determinadas situações, câncer de estômago.
O papilomavírus humano, o HPV, aparece em seguida com também cerca de 4% dos casos, ou 750 mil registros. O vírus da hepatite B responde por aproximadamente 2% dos diagnósticos, enquanto o vírus Epstein-Barr está ligado a 1% dos casos, assim como o vírus da hepatite C. A maior parte dos cânceres associados a infecções ocorre em países de baixa e média renda. Segundo o estudo, cerca de 75% desses casos estão concentrados nessas regiões. O leste da Ásia reúne a maior parcela dos diagnósticos, com 42% do total global, onde infecções por Helicobacter pylori e hepatite B aparecem com mais frequência. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e figura entre as quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Por ser uma condição cada vez mais comum, a identificação precoce aumenta significativamente as chances de recuperação. Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo apresenta. Apesar de alguns tumores não manifestarem sintomas, o câncer frequentemente provoca mudanças no organismo.
- A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de câncer, como os de estômago, pulmão e pâncreas.
- Mudanças persistentes na textura da pele, sem causa identificada, também servem de alerta, especialmente quando acompanhadas de inchaços ou caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila ou estômago.
- A tosse persistente, apesar de ser sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso se prolongue por mais de quatro semanas. Se vier acompanhada de falta de ar ou sangue, pode ser indicativo de câncer no pulmão.
- Alterações no aspecto de pintas, como mudanças no tamanho, cor e formato, também devem ser avaliadas por um médico, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido.
- A presença de sangue nas fezes ou na urina pode ser sinal de câncer nos rins, bexiga ou intestino. Dor e dificuldades ao urinar também merecem investigação.
- Dores sem motivo aparente, frequentes ou intermitentes, que durem mais de quatro semanas, podem indicar a existência de câncer, já que alguns tumores pressionam ossos, nervos e outros órgãos.
- Azia forte e recorrente, acompanhada de dor que não cede, pode indicar câncer de garganta ou estômago.
Dificuldade e dor ao engolir também devem ser investigadas, pois podem ser sinal da doença no esôfago. Os pesquisadores destacam que muitos desses casos poderiam ser evitados com medidas já conhecidas, como vacinação, diagnóstico precoce e tratamento adequado das infecções. Vacinas contra HPV e hepatite B já estão disponíveis e têm potencial para reduzir o número de casos de câncer ao longo do tempo.
Ainda assim, a cobertura vacinal e o acesso a serviços de saúde seguem desiguais entre os países. No caso da Helicobacter pylori, não há vacina disponível e as opções de tratamento ainda enfrentam limitações. Para o vírus Epstein-Barr, também não existe imunização, embora estudos estejam em andamento. Os autores do estudo apontam que ampliar o acesso a essas estratégias é um passo importante para reduzir a ocorrência de câncer associada a infecções.