Groenlândia rebate Trump e nega exploração massiva de recursos

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Alex Brandon / Pool
Vice-ministro de Mineração da Groenlândia diz que projetos de petróleo e minerais estão longe de uma exploração "massiva", contrariando Trump
O governo da Groenlândia contestou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que uma grande exploração de petróleo, gás e minerais estaria prestes a começar no território ártico. Autoridades locais reconhecem que há iniciativas em andamento, mas em escala bem menor do que a descrita pelo presidente americano.
O vice-ministro de Mineração da Groenlândia, Jørgen Hammeken-Holm, foi direto ao rebater as afirmações de Trump em entrevista à CNN: "Há atividades de empresas dos EUA, mas estamos muito longe de uma exploração massiva". O governo groenlandês reforçou que os projetos ainda estão em fase inicial e podem demorar a sair do papel.
"Há muitas explorações menores em andamento, mas elas podem levar anos para se tornarem operacionais", completou Hammeken-Holm.
Trump havia publicado no Truth Social que a ilha se preparava para iniciar uma "enorme" corrida por recursos naturais. "Há especialistas dizendo que a quantidade de petróleo facilmente disponível é muito maior do que a de quase qualquer terra, em qualquer lugar do mundo", escreveu o presidente americano.
A postagem também foi usada para reforçar argumentos de segurança e defesa na região. "Qualquer ataque futuro aos Estados Unidos terá que passar pela Groenlândia, onde nossa Defesa rotineiramente derrubará drones, mísseis ou qualquer outra forma de arma ainda nem concebida", afirmou Trump.
Pesquisadores citados pela emissora americana apontam que extrair recursos na Groenlândia é caro e tecnicamente difícil. Parte das jazidas fica em áreas remotas acima do Círculo Polar Ártico, com pouca infraestrutura e uma espessa camada de gelo. Cerca de 80% da ilha é coberta por gelo, o que representa um obstáculo considerável para qualquer operação de grande escala.
Desde que voltou à Casa Branca, Trump tem repetido ameaças de assumir o controle da Groenlândia e de seus recursos naturais. A ilha é autônoma, mas integra o Reino da Dinamarca, e as declarações irritaram parceiros europeus e aliados da Otan.
No mês passado, EUA, Dinamarca e Groenlândia anunciaram um acordo para reduzir a tensão após as ameaças de anexação. O texto reconhece a soberania dinamarquesa e o direito dos groenlandeses à autodeterminação, além de prever cooperação em minerais e em desenvolvimento econômico, sem detalhar projetos de petróleo e gás.
A posição estratégica da Groenlândia é vista como relevante por estar na rota mais curta para mísseis entre a Rússia e os EUA, o que a torna peça central no projeto de escudo de defesa conhecido como "Domo Dourado", proposto por Trump. O território também possui reservas de terras raras ainda pouco exploradas e pode ganhar importância com a abertura de novas rotas marítimas no Ártico.
Em agosto, notícias sobre preparativos de uma empresa de petróleo americana no leste da ilha já haviam gerado preocupação entre moradores e autoridades locais. O acordo de segurança mencionado por Trump prevê mudanças pontuais em um tratado de 1951 que autoriza a presença militar americana na ilha. O texto abre caminho para novas bases e para acesso militar dos EUA caso a Groenlândia venha a se tornar independente da Dinamarca.