G7 libera 100 milhões de barris de diesel para conter crise

Fonte: Wikipédia; Plataforma P-51, destinada a produção de petróleo e gás natural.
Líderes do G7 acordam liberação de estoques estratégicos de diesel e petróleo bruto para aliviar mercado global de combustíveis
Os líderes do G7 se reuniram virtualmente nesta sexta-feira (2) e chegaram a um acordo para liberar até 100 milhões de barris de diesel e petróleo bruto nos próximos quatro meses, diante da crescente tensão no mercado internacional de combustíveis. As sete potências desenvolvidas também decidiram não proibir as exportações entre os países-membros, medida que os Estados Unidos haviam ameaçado adotar caso a Europa se recusasse a cooperar.
O governo americano vinha pressionando a Europa a utilizar seus estoques de diesel para aliviar o mercado global, chegando a evocar a possibilidade de vetar as vendas de combustíveis para a União Europeia. A Comissão Europeia havia alertado que tal medida "abalaria nossa confiança nos Estados Unidos como parceiro confiável".
Segundo uma declaração conjunta dos países-membros do grupo, estoques "substanciais" de diesel serão colocados no mercado nos próximos 20 dias, sem descartar a possibilidade de liberar volumes "adicionais" futuramente.
"Decidimos liberar estoques estratégicos de diesel e petróleo bruto sob a coordenação da Agência Internacional de Energia (AIE)", anunciou o presidente francês, Emmanuel Macron, que preside o G7 este ano. Além disso, ele acrescentou que "estamos todos comprometidos em garantir que não haja nenhuma proibição de exportação. O presidente Trump foi muito claro sobre esse ponto".
Simultaneamente, o líder norte-americano afirmou em sua rede social, Truth Social, que "a Europa acabara de concordar em colocar no mercado uma grande quantidade de seu diesel amplamente estocado". "O processo começará imediatamente", garantiu Trump.
Essas decisões "devem reduzir os preços" dos combustíveis, que estão disparando devido à guerra no Oriente Médio, segundo o presidente francês. Emmanuel Macron também indicou que os países do G7 concordaram em "trabalhar (...) para reduzir as margens das refinarias e os custos de transporte", que aumentaram significativamente com os bloqueios no estratégico Estreito de Ormuz. A interrupção do abastecimento americano seria uma catástrofe para a União Europeia, já que 50% do diesel importado pelo bloco provém dos Estados Unidos.
O mercado de petróleo já havia antecipado esses anúncios, e as cotações do WTI americano caíram 5% por volta do meio-dia em Londres.
Emmanuel Macron conversou por telefone com Donald Trump na noite de quinta para sexta-feira, ressaltando que os países do G7 — Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido — "tinham um interesse comum em agir de forma coordenada, sem restrições às exportações", segundo o Palácio do Eliseu. O governo alemão, por sua vez, defendeu "soluções coordenadas" para "não perturbar ainda mais" os mercados.
Em março passado, os Estados-membros da AIE, incluindo os europeus, haviam prometido liberar gradualmente 400 milhões de barris de petróleo de seus estoques estratégicos, mas nem todos foram disponibilizados no mercado.
Os ataques ucranianos a infraestruturas energéticas russas e o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã prejudicam significativamente a produção mundial de diesel, embora refinarias em outras partes do mundo estejam operando em capacidade máxima.
A inflação na zona do euro subiu em setembro para o nível mais alto em três anos (3,8%), impulsionada pela disparada dos preços da energia decorrente do conflito no Oriente Médio. Na UE, o preço do diesel na bomba atingiu um novo recorde histórico, com uma média semanal de € 2,24 por litro. Nos Estados Unidos, o combustível alcançou, no final de setembro, o patamar recorde de US$ 6,53 por galão (3,78 litros).
"Agricultores, transportadores rodoviários e empresas americanas não deveriam ter de arcar sozinhos com o peso de uma escassez global de diesel", havia declarado o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, antes dos anúncios, em um momento em que se aproximam as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para o início de novembro.
Na terça-feira, a Comissão Europeia já havia feito um gesto em direção às gigantes do setor de hidrocarbonetos e a Washington, ao propor o adiamento, em um ano, de sua legislação contra as emissões de metano, um gás de efeito estufa altamente poluente.