Frank Martins: ''Cruzeiro precisa manter atuação contra o Grêmio na reta final''

Frank Martins: ‘’Displicência tem que acabar: Cruzeiro precisa transformar a atuação contra o Grêmio em padrão para a reta final’’ (Foto: Lucas Bubols/Cruzeiro)
Com Matheus Pereira mais próximo dos volantes e Kaio Jorge decisivo, Raposa conquista vitória fundamental, entra no G4 e mostra o caminho para voltar a brigar por uma vaga na Libertadores. A instabilidade defensiva, porém, continua sendo um alerta
O Cruzeiro precisava de uma vitória como a que conquistou sobre o Grêmio. Não apenas pelos três pontos e pela entrada no G4, mas porque a partida mostrou o que o time pode produzir quando Matheus Pereira encontra espaço para organizar o jogo e Kaio Jorge recebe a bola em condições de usar suas principais virtudes. O desafio agora é transformar essa atuação em referência para a reta final do Campeonato Brasileiro, porque já não há muito espaço para desperdiçar oportunidades.
Kaio Jorge foi o grande nome da noite, com três gols, mas sua atuação também ajuda a entender uma característica importante do Cruzeiro de 2025, quando o entrosamento entre ele e Matheus Pereira fez a equipe jogar em alto nível. Naquela formação, Matheus tinha liberdade para participar da construção desde mais atrás, aproximando-se dos volantes e encontrando passes verticais para colocar o atacante em vantagem diante dos defensores. Contra o Grêmio, foi interessante ver o camisa 10 ocupar espaços semelhantes, com mais participação na saída de bola e capacidade para lançar a equipe ao ataque.
Essa mudança pode ser valiosa neste momento da temporada. Matheus Pereira não precisa estar o tempo todo perto da área para ser decisivo. Quando recebe de frente para o campo, tem visão e qualidade técnica para encontrar Kaio Jorge em profundidade, acelerar a jogada e desmontar uma defesa antes que ela consiga se organizar. E o atacante tem justamente as características necessárias para aproveitar esses passes: arranque, força para sustentar o contato com os zagueiros e refinamento para finalizar no mano a mano com o goleiro.
A vitória, entretanto, não pode esconder os problemas que continuam incomodando. O primeiro tempo foi ruim, e a defesa voltou a transmitir insegurança. O próprio Kaio Jorge demonstrou irritação com a repetição de um roteiro que tem custado caro ao Cruzeiro: a equipe começa bem, sofre um gol por desatenção e passa a jogar sob pressão. Quando um dos principais jogadores cobra publicamente mais concentração, é sinal de que o incômodo com essa instabilidade está presente dentro do próprio grupo.
Os números reforçam a preocupação. O Cruzeiro tem produzido ofensivamente, mas sofre gols demais para uma equipe que pretende terminar o campeonato entre os primeiros colocados. Não adianta ter um ataque capaz de marcar três vezes se a defesa não oferece tranquilidade para sustentar a vantagem. Artur Jorge precisa encontrar esse equilíbrio, especialmente porque, na reta final, cada erro pode custar pontos preciosos.
A rodada foi excelente para a Raposa, que aproveitou os tropeços de concorrentes diretos e entrou no G4. O campeonato ainda oferece oportunidades, mas elas exigem regularidade. O Cruzeiro não pode alternar atuações convincentes com períodos de desorganização, nem depender de uma noite inspirada de Kaio Jorge para compensar as falhas coletivas.
O caminho, portanto, passa por repetir o que funcionou contra o Grêmio: Matheus Pereira participando mais da construção, encontrando passes que acelerem o jogo, Kaio Jorge sendo abastecido em condições de decidir e o restante da equipe oferecendo sustentação a esse talento. Se conseguir aliar essa capacidade ofensiva a uma defesa mais consistente, o Cruzeiro terá condições de terminar a temporada em uma posição compatível com a qualidade de seus melhores jogadores.
A vitória sobre o Grêmio precisa ser mais do que um resultado importante. Precisa ser um ponto de partida. O Cruzeiro mostrou que tem futebol para brigar pelo G4, mas agora precisa demonstrar que também tem regularidade e maturidade para permanecer nele.