Dino divulga relatório com ameaças de morte a ministros do STF

Ministro do STF divulgou trechos de relatório com "milhares de mensagens" contendo ameaças de assassinato contra integrantes da Corte
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta sexta-feira (9/10) trechos de um relatório da Secretaria de Polícia Judicial da Corte que reúne ameaças de morte contra ministros do tribunal.
O documento apresenta mensagens com referências a fuzilamento, enforcamento e outras formas de violência direcionadas a integrantes do Judiciário.
Parte das ameaças foi registrada após o primeiro turno das eleições, realizado no último domingo (4/10).
O levantamento evidencia a circulação de conteúdos violentos contra membros do STF e foi compartilhado por Flávio Dino em seu perfil no Instagram, expondo o teor das mensagens dirigidas a integrantes da Corte, incluindo ameaças explícitas de assassinato.
Segundo o ministro, são "milhares de mensagens" com "ameaças de assassinato e agressões diversas".
Flávio Dino também se posicionou sobre sua trajetória pública ao afirmar: "Em 37 anos como servidor público nunca respondi a um único processo criminal. O ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência".
O ministro foi enfático ao defender a independência do Poder Judiciário e a possibilidade de discordância por vias legais: "Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões. Em nada alterarei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou".
Flávio Dino completou que "se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário, nem Constituição".
A declaração reforça a preocupação com a integridade das instituições diante do clima de hostilidade registrado.
A divulgação ocorre em meio ao segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, em um cenário de acirramento do debate político no país.
O relatório completo não foi disponibilizado publicamente por questões de segurança, e as informações divulgadas até o momento não permitem identificar todos os autores das ameaças nem confirmar eventuais medidas adotadas em relação a cada caso.
A identificação dos responsáveis e a apuração de possíveis crimes dependem da atuação dos órgãos competentes.