Flávio Bolsonaro é intimado a entregar passaportes por determinação de Moraes

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Flávio Bolsonaro anunciou que recorrerá ao TSE, acusando Lula de abuso de poder político e econômico após derrota no segundo turno
O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta segunda-feira que pedirá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno da eleição presidencial. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro acusou o petista de abuso de poder político e econômico, questionou a prorrogação do horário de votação no domingo e criticou a determinação de entregar seus passaportes à Polícia Federal. Antes do pronunciamento, Flávio Bolsonaro reuniu-se com aliados no início desta tarde em Brasília para discutir os próximos passos políticos.
Entre os presentes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP). Segundo relatos obtidos pela reportagem, ficou acertado na reunião que Flávio Bolsonaro permaneceria no Brasil e assumiria pessoalmente a tarefa de organizar a oposição ao quarto mandato de Lula. A avaliação do grupo é que a votação expressiva recebida pelo senador lhe dá condições de manter a direita unida, especialmente no Congresso. A decisão ocorre em meio à pressão de setores da base bolsonarista que não aceitam o resultado eleitoral e chegaram a defender que Flávio Bolsonaro deixasse o país. A possibilidade foi rejeitada pelo núcleo próximo do senador, que considera não fazer sentido abandonar o Brasil após a votação obtida nas urnas. A orientação é que ele preserve o capital político acumulado durante a campanha e mantenha a articulação com governadores, parlamentares e dirigentes partidários que apoiaram sua candidatura. No vídeo, Flávio Bolsonaro agradeceu aos eleitores e afirmou que pretende recorrer à Justiça Eleitoral por considerar que a disputa foi desequilibrada por medidas adotadas pelo governo federal.
O senador acusou Lula de utilizar recursos públicos para favorecer a própria reeleição, sem apresentar provas das irregularidades alegadas. — Então eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu. O Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil — disse. Flávio Bolsonaro também voltou a questionar a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário de votação até as 19h. O senador afirmou que a medida alterou as regras durante o pleito e disse que seu impacto precisa ser esclarecido. — O que aconteceu nesse domingo da eleição não foi normal, todo mundo viu. Foi a primeira vez na história do Brasil que um ministro do STF, no caso, ex-advogado do Lula, provocado pelo próprio PT, atropelou o TSE e tomou uma decisão que prorrogou as eleições até as 7 horas da noite — declarou. Vale destacar que a própria campanha de Flávio Bolsonaro havia solicitado a ampliação do horário de votação em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em razão de dificuldades de deslocamento provocadas pelo mau tempo. O pedido apresentado pela equipe do senador, porém, tinha abrangência diferente da decisão tomada por Zanin.
O senador também criticou a determinação do STF de que entregasse seus passaportes e não deixasse o Brasil. Flávio Bolsonaro afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal nesta segunda-feira, quando saía de uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. Segundo ele, a decisão foi fundamentada em uma declaração de seu irmão Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro, defendendo que ele deixasse o país caso perdesse a eleição. — Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar — declarou. Flávio Bolsonaro questionou ainda o momento da decisão, que, segundo ele, foi tomada na noite de domingo, logo após a divulgação do resultado eleitoral, classificando a medida como uma tentativa de intimidação política. — Pensa comigo: se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia estar do mesmo jeito me intimando no meio da rua? — questionou. Ao encerrar o pronunciamento, Flávio Bolsonaro reafirmou sua decisão de permanecer no Brasil e liderar a articulação da direita, anunciando que pretende reunir deputados, senadores e outros políticos eleitos para definir uma estratégia de enfrentamento ao novo governo Lula. — Para resistir ao caos, eu vou organizar a oposição. A gente fez a maioria no Senado e na Câmara. Foi uma vitória que vocês deram para o Brasil — disse.