Flávio nega cortes no Bolsa Família após fala de coordenadora econômica

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Reprodução/YouTube
Campanha de Flávio Bolsonaro tenta conter desgaste após declaração de coordenadora econômica gerar dúvidas sobre o futuro do programa social
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tenta afastar o temor de cortes no Bolsa Família após uma declaração da coordenadora econômica, Daniella Marques, ter fornecido aos adversários um novo argumento para questionar quais despesas o senador pretende reduzir caso seja eleito presidente.
O desgaste chega justamente na semana em que os beneficiários começam a receber o reajuste concedido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio no segundo turno marcado para o domingo (25/10).
O candidato do PL foi às redes sociais negar que pretenda limitar a dois anos o recebimento do benefício pelas famílias, afirmando que o prazo se aplicaria apenas a quem conseguisse emprego ou abrisse um negócio.
A reação ocorre em meio à rodada final de viagens e às vésperas do último debate entre os candidatos.
Agenda da reta final
Na quarta-feira (21/10), Flávio Bolsonaro deve passar por São Paulo e pelo Ceará, onde aliados trabalham para ampliar sua votação.
Em seguida, o senador deve bloquear a agenda e permanecer no Rio de Janeiro para se preparar para o confronto na TV Globo, na sexta-feira (23/10).
O encerramento da campanha está previsto para o sábado (24/10), com agendas em Minas Gerais e no Rio.
Enquanto se dedica à reta final das eleições, Flávio Bolsonaro deve, segundo aliados, reforçar falas em defesa de programas sociais, numa tentativa de manter e ampliar o apoio de eleitores que dependem da assistência do governo.
Aliados do filho mais velho de Jair Bolsonaro avaliam que o tema já era uma "pedra no sapato" da campanha, que sofre ataques do adversário por não explicar suas promessas econômicas e por não deixar claro como se dará a proposta de um corte de R$ 200 bilhões nas contas públicas.
A entrevista de Daniella à CBN Bahia, na segunda-feira (19/10), ampliou essa dificuldade.
Na avaliação de membros da campanha, ao falar sobre a proposta de transição, a coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro abriu espaço para que governistas tratassem o prazo como uma ameaça à continuidade dos pagamentos.
Aliados do senador relataram desconforto com a entrevista e disseram, em reserva, que a ex-presidente da Caixa não foi clara ao explicar a sua proposta.
O PT, por exemplo, vinculou a fala à promessa de Flávio Bolsonaro de cortar R$ 200 bilhões em despesas públicas, alegando que os cortes atingiriam programas sociais.
Essa associação, que acompanha Flávio Bolsonaro desde o início da campanha, é combatida pelo entorno do senador.
A resposta do candidato
Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes para rebater as declarações.
O candidato disse que o pagamento do Bolsa Família continuaria por até dois anos após a obtenção de emprego ou a abertura de uma empresa, e também prometeu o retorno ao programa no mesmo dia caso a pessoa fosse demitida ou o negócio não desse certo.
Parte dessa proteção já existe nas regras atuais: conseguir um emprego formal não provoca, por si só, o desligamento do programa.
As famílias que ultrapassam o limite de renda podem continuar recebendo metade do benefício durante um período, dentro dos critérios do programa, e há previsão de retorno para famílias que voltem à situação de pobreza.
A preocupação com um eventual desgaste aumenta com a chegada do reajuste aos beneficiários.
O governo Lula aumentou os benefícios em 15%, e os pagamentos começaram nesta semana.
O entorno de Flávio Bolsonaro conta com o apoio de aliados eleitos e influentes nas redes sociais para rebater e divulgar as falas do senador sobre o Bolsa Família.
O PL tem pedido a seus membros para reforçar a divulgação das propostas do senador e veicular a imagem do candidato nas redes.
Além disso, a campanha pretende reforçar, nos últimos dias do segundo turno, uma estratégia para alcançar eleitores fora do bolsonarismo.
Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) mobilizam prefeitos e vereadores para pedir votos.
No Nordeste, o PL indicou o candidato a vice de Flávio Bolsonaro, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), para reforçar a presença do candidato na região.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), nome frequente nas mobilizações, deverá participar de um ato em Fortaleza na sexta-feira, quando o presidenciável estará no debate da TV Globo.