Flávio Bolsonaro lidera mercados de previsão

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Polymarket e Kalshi atribuem mais de 60% de chance de vitória a Flávio Bolsonaro, enquanto pesquisas mostram empate técnico com Lula
Os principais mercados de previsão sobre a eleição brasileira mudaram de direção nas últimas semanas e passaram a indicar Flávio Bolsonaro (PL) como favorito à Presidência da República. Na manhã desta quarta-feira (1º), as plataformas Polymarket e Kalshi atribuíam ao senador uma probabilidade superior a 60% de vitória no pleito de 2026. Na Polymarket, a chance de vitória de Flávio Bolsonaro era de 62%, contra 37% para Lula (PT). Na Kalshi, o placar era semelhante: 61% a 39% em favor do candidato do PL. O movimento contrasta com as pesquisas eleitorais mais recentes, que em geral mostram empate técnico entre os dois candidatos nas simulações de segundo turno. No último levantamento do Datafolha, Lula registrava 47% das intenções de voto contra 45% de Flávio Bolsonaro — cenário de empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No primeiro turno, o petista aparecia com 40%, ante 36% do candidato do PL. A virada nos mercados de previsão ocorreu de forma gradual. Em meados de agosto, a Kalshi chegou a atribuir cerca de 68% de chance de vitória a Lula. Em 28 de setembro, a situação já havia se invertido: Flávio Bolsonaro tinha 57%, e Lula, 43%. Desde então, o senador avançou ainda mais, alcançando a faixa dos 60% nas duas plataformas.
Polymarket e Kalshi funcionam como mercados em que participantes compram e vendem contratos ligados a acontecimentos futuros. Na Polymarket, por exemplo, um contrato de Flávio Bolsonaro negociado a US$ 0,62 paga US$ 1 se ele vencer a eleição e zero caso perca. O preço de US$ 0,62 é interpretado como uma probabilidade implícita de aproximadamente 62%. Esse mecanismo é diferente de uma pesquisa eleitoral, que entrevista uma amostra da população para estimar em quem os eleitores pretendem votar. Também difere de uma casa de apostas tradicional: nesses mercados, os preços são formados pelas ordens de compra e venda dos próprios participantes e variam continuamente. A Kalshi é uma bolsa de contratos de eventos regulada nos Estados Unidos, e os contratos da eleição brasileira pagam US$ 1 se o resultado escolhido ocorrer. O mercado registrava pouco mais de US$ 6 milhões em volume negociado.
Já o volume da Polymarket exige uma ressalva: os US$ 159 milhões representam volume negociado, e não necessariamente dinheiro novo colocado na eleição, já que um mesmo contrato pode ser comprado e vendido várias vezes. Em levantamento publicado pela Kalshi em 28 de setembro, Lula tinha cerca de 75% de probabilidade de terminar o primeiro turno em primeiro lugar, mas Flávio Bolsonaro já aparecia com 57% de chance de vencer a Presidência ao fim da eleição. A plataforma atribuía apenas 7% de chance de a disputa ser encerrada já no primeiro turno.
Há evidências de que esse tipo de mercado pode funcionar como instrumento de previsão, mas isso não significa que Polymarket ou Kalshi sejam infalíveis. Um dos estudos clássicos sobre o tema analisou o Iowa Electronic Markets, mercado experimental ligado à Universidade de Iowa. Em uma comparação com 964 pesquisas realizadas durante cinco eleições presidenciais americanas, o mercado ficou mais próximo do resultado final em 74% das comparações. O histórico específico de Polymarket e Kalshi é menor. Na eleição americana de 2024, ambas terminaram a campanha atribuindo maior probabilidade de vitória a Donald Trump, que acabou eleito. Mas também erraram em mercados individuais e disputas estaduais. Além disso, quem negocia nesses mercados não constitui uma amostra representativa do eleitorado. Participa quem quiser, e um investidor com muito dinheiro pode movimentar mais contratos do que milhares de pequenos participantes. Por isso, os números não significam que Flávio Bolsonaro terá 62% dos votos ou que sua vitória esteja assegurada. Significam que, após uma forte mudança nas últimas semanas, os participantes dos dois maiores mercados de previsão estão pagando preços compatíveis com uma probabilidade próxima de 60% de vitória do senador, enquanto as pesquisas continuam mostrando uma disputa de segundo turno estatisticamente empatada.