Eleição presidencial chega ao primeiro turno marcada pela polarização

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (Douglas Magno e Gledston Tavares/AFP)
Mais de 158 milhões de eleitores votam no primeiro turno em disputa polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro
O Brasil vai às urnas neste domingo (4) para definir quem será o presidente da República pelos próximos quatro anos. No primeiro turno, mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a escolher entre 14 candidatos ao cargo máximo do Executivo Nacional.
O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lideram todas as pesquisas eleitorais desde o início do ano e devem protagonizar uma disputa acirrada na apuração dos votos.
Com um cenário polarizado e os candidatos que poderiam representar uma terceira via longe de atingir dois dígitos nas pesquisas, a possibilidade de definição do pleito ainda no primeiro turno não é descartada pelas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
Em 2022, em contexto semelhante de polarização, Lula terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos contra 43,2% de Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio.
Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao dia da votação sem terem se encontrado em nenhum debate televisionado. A última oportunidade para o embate tête-à-tête ocorreu na quinta-feira (30), na Rede Globo, mas o petista cancelou sua participação na véspera e Flávio Bolsonaro desistiu de comparecer ao programa horas antes do início previsto.
A Globo decidiu cancelar o debate e alegou ter sofrido uma interferência indevida da Justiça. A emissora citou uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a proibiu de incluir o púlpito vazio de Lula no programa e uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a participação de Renan Santos (Missão) no debate.
A celeuma se somou a outras polêmicas que marcaram o período eleitoral com forte presença do Poder Judiciário.
Os vazamentos e levantamentos de sigilo sobre as relações entre ministros do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, escancararam uma fratura na Corte protagonizada por André Mendonça e Alexandre de Moraes, marcada por decisões consideradas políticas e eleitoreiras de parte a parte.
Outra polêmica alheia às campanhas propriamente ditas girou em torno da desinformação sobre um suposto interesse de Flávio Bolsonaro em retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A informação, comprovadamente falsa, gerou uma nova onda de batalhas na guerra jurídica. Mendonça, que é também vice-presidente do TSE, determinou a retirada do ar de vários posts sobre o caso.
Flávio Dino, aliado de Moraes e indicado por Lula ao Supremo, tomou uma decisão contrária e anulou a medida do colega, mesmo sem integrar a corte eleitoral.
Lula tenta sua quarta eleição para a Presidência da República em 2026. Aos 80 anos, o petista enfrenta sua sétima corrida presidencial. O petista perdeu as disputas de 1989, 1994 e 1998, e venceu em 2002, 2006 e 2022, sendo a última vitória conquistada justamente contra Jair Bolsonaro, pai de seu atual adversário.
Flávio Bolsonaro tenta se tornar o 40º presidente da história do Brasil. Aos 45 anos, o advogado seguiu a carreira paterna e ocupa cargos na política desde os 22 anos de idade.
Ele se elegeu deputado estadual pelo Rio de Janeiro em 2002, passou quatro mandatos na Assembleia Legislativa (Alerj) e foi eleito senador em 2018, mesmo ano em que seu pai chegou à presidência.