Flávio chama pai de professor e diz que vai governar até "para quem fez o L"

Foto: Vittor Sales
Senador e pré-candidato à Presidência reuniu Tarcísio e Nikolas em carreata em Vitória, no Espírito Santo
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou o pai, Jair Bolsonaro (PL), de "professor" durante ato de campanha realizado neste sábado (17) em Vitória, no Espírito Santo. Em discurso, afirmou que o ex-presidente deixou "sementes plantadas" no Brasil, em resposta às críticas de que o bolsonarismo teria chegado ao fim. "Vocês viram que tentaram calar o líder da direita do Brasil, o nosso professor, o melhor presidente da história do Brasil, Jair Messias Bolsonaro. Eles disseram que tinham acabado com o bolsonarismo.
Mas esqueceram que Jair Bolsonaro deixou milhões de sementes plantadas, que floresceram e que estão tomando conta do Brasil", declarou Flávio Bolsonaro diante de apoiadores. O evento, batizado de "Bloquinho do 22" e convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), reuniu nomes de peso da direita brasileira. Além de Nikolas, participaram da carreata com trio elétrico o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP). O cortejo percorreu cinco quarteirões da orla no bairro Jardim Camburi, e apoiadores passaram mal em razão do calor intenso, do forte sol e da aglomeração. O mestre de cerimônias e o próprio Flávio Bolsonaro solicitaram a presença de socorristas dos bombeiros para atender os presentes.
Tarcísio de Freitas, reeleito em primeiro turno no estado de São Paulo, tem intensificado sua participação na campanha de Flávio Bolsonaro na reta final da disputa. Nesta semana, o governador também esteve presente em comício no Rio Grande do Sul. Durante o ato em Vitória, Nikolas Ferreira repetiu a afirmação feita por Flávio de que Jair Bolsonaro subirá a rampa do Palácio do Planalto caso o filho vença a eleição. O ex-presidente encontra-se em prisão domiciliar após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado. Na véspera do evento, durante entrevista à TV Globo, Flávio Bolsonaro afirmou não ter planos de oferecer um cargo ao pai em eventual governo. "O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo, nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo. Tenho o privilégio de, na hora que eu precisar consultar um ex-presidente da República, tenho dentro de casa de confiança. Sou privilegiado por isso, mas nunca tratou de cargo comigo", disse.
Na mesma entrevista, Flávio Bolsonaro negou a possibilidade de nomear o irmão Eduardo Bolsonaro como chanceler. Eduardo, ex-deputado e condenado à prisão no Brasil, está nos Estados Unidos desde o ano passado. Durante o ato em Vitória, Flávio Bolsonaro também declarou que vai governar até "para quem fez o L", em referência a apoiadores do presidente Lula (PT), e prometeu "internet livre" caso assuma a Presidência. O impulsionamento de publicações nas redes sociais tem sido um dos temas centrais da campanha, com disputas entre as equipes de Lula e Flávio Bolsonaro em decisões do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Há ainda indícios de que alterações em ferramentas digitais podem ter prejudicado a campanha do atual presidente.
A inteligência artificial da Meta, por exemplo, criava propaganda para Flávio Bolsonaro, mas vetava o material de Lula. A empresa afirmou que cumpriu as regras eleitorais e tomou medidas para que "comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos também não produzam imagens". Ao longo da carreata, o candidato ao Governo do Espírito Santo Lorenzo Pazolini (Republicanos) simulou passar uma faixa presidencial para Flávio Bolsonaro. Pazolini disputa o segundo turno com Ricardo Ferraço (MDB). No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 54,78% dos votos no estado, enquanto Lula alcançou 37,76%. O Espírito Santo também refletiu a tendência nacional de votações expressivas para jovens de direita, como o caso de Lucas Polese (PL), de 29 anos, que se tornou o deputado federal eleito mais votado da história do estado.