Flávio busca segundo mandato da família Bolsonaro na Presidência

O candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro / Crédito: Vittor Sales
Flávio Bolsonaro lidera as pesquisas no segundo turno e tenta se tornar o segundo da família a ocupar a presidência da República
Favorito no segundo turno da disputa pela presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta se tornar o segundo membro da família a ocupar o Palácio do Planalto. O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro vai para a votação final deste domingo (25) liderando as pesquisas de intenção de voto, após uma vitória expressiva no início de outubro.
No primeiro turno, realizado no dia 4, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, o equivalente a cerca de 56,1 milhões de eleitores. O resultado superou até mesmo o desempenho do pai em 2022, quando Jair Bolsonaro recebeu 51 milhões de votos. Lula, por sua vez, ficou com 45,16% dos votos válidos, cerca de 53,8 milhões de eleitores. A diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos entre os dois candidatos é a menor registrada desde a retomada das eleições diretas para presidente, em 1989.
Antes do primeiro turno, os levantamentos já indicavam uma disputa acirrada, com empates técnicos e leve vantagem de Lula na primeira rodada. O resultado surpreendeu parte dos analistas e consolidou Flávio Bolsonaro como favorito para o segundo turno. O senador conta ainda com um histórico favorável: desde a redemocratização, nunca houve uma virada entre o primeiro e o segundo turno.
Ainda há cerca de 48,2 milhões de votos em disputa, considerando os eleitores que votaram em candidatos de terceira via, os votos brancos e nulos, além do número recorde de 33,2 milhões de ausentes na primeira rodada — o equivalente a 21% do eleitorado.
Ao longo da campanha, Flávio Bolsonaro adotou um discurso de mudança de rota, com críticas à política econômica do atual governo e à gestão da segurança pública, pauta que se mostrou sensível especialmente no Nordeste, reduto eleitoral da esquerda.
Último dia de campanha
No sábado (24), último dia de campanha com eleitores nas ruas, Flávio Bolsonaro passou por Belo Horizonte, onde realizou o ato que ficou conhecido como "bloco do 22". O evento contou com a presença do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o mais votado da história do país, e do governador eleito em primeiro turno Cleitinho Azevedo (Republicanos). Na capital mineira, a diferença entre Flávio e Lula no primeiro turno foi de menos de 100 mil votos.
Na tarde, o senador encerrou sua campanha na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, repetindo o gesto da véspera do primeiro turno, quando também finalizou sua jornada na cidade. "O Brasil não está mais dividido entre esquerda e direita, está todo mundo unido pela mudança. Mas por que mudança? Porque são mais de 11,5 mil obras inacabadas, violência, o Brasil cansou de esperar", disse.
As pesquisas divulgadas no sábado reforçam o cenário de disputa apertada. O instituto Datafolha aponta vitória de Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos, ante 49% de Lula. Considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais, o levantamento configura empate técnico. A Quaest registrou os mesmos percentuais: Flávio com 51% e Lula com 49%, também em empate técnico dentro da margem de erro de 2 p.p. Ambos os institutos realizaram suas pesquisas entre os dias 23 e 24 de outubro, com nível de confiança de 95%.
Nascido em 30 de abril de 1981, em Resende, no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro é advogado, ex-deputado estadual e senador pelo estado do Rio de Janeiro. Aos 45 anos, ele disputa pela primeira vez a Presidência da República, tendo como candidato a vice-presidente o deputado federal alagoano Alfredo Gaspar (PL), de 56 anos.
O cenário que se desenha para este domingo é de uma eleição extremamente disputada, com Flávio Bolsonaro na dianteira das pesquisas, mas sem margem confortável diante de Lula. O resultado dependerá da mobilização dos eleitores de ambos os lados e do comportamento do eleitorado que ficou de fora no primeiro turno.