Flávio Bolsonaro avança no Nordeste, no Sul e Sudeste

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Flávio Bolsonaro amplia vantagem no Sul e Sudeste e reduz liderança de Lula no Nordeste, conquistando 1,6 mi de votos a mais na região
Flávio Bolsonaro (PL) saiu na frente de Lula (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, e a explicação para esse resultado está em dois movimentos regionais distintos: a ampliação da vantagem no Sul e no Sudeste e a redução da liderança histórica do petista no Nordeste. No Sul e no Sudeste, Flávio Bolsonaro conquistou 5,7 milhões de votos a mais que Lula no Sudeste e outros 5 milhões a mais no Sul, totalizando uma vantagem de 10,7 milhões de votos nessas duas regiões. Esse número representa quase o dobro da distância que Jair Bolsonaro (PL) havia obtido sobre Lula nas mesmas regiões no primeiro turno de 2022. A disparada de Flávio Bolsonaro no Sul-Sudeste funcionou como um contrapeso à tradicional liderança de Lula no Nordeste.
Em uma analogia com uma gangorra, de um lado está a vantagem de Flávio nessas regiões e, do outro, a supremacia de Lula no Nordeste. Lula fez 11,1 milhões de votos a mais que Flávio no Nordeste, um número que praticamente equilibrou os dois lados da disputa. Em 2022, os votos de Lula no Nordeste pesavam muito mais nessa gangorra. A vantagem do petista na região em que nasceu foi de 12,9 milhões de votos, enquanto Jair Bolsonaro liderou no Sul-Sudeste com 5,5 milhões de votos de diferença. O saldo final em 2026 foi uma diferença de 2,3 milhões de votos entre Flávio Bolsonaro e Lula, em benefício do candidato do PL. Em 2022, a diferença havia sido de 6,2 milhões, mas a favor de Lula contra Jair. Além do Sul e do Sudeste, Flávio Bolsonaro também abriu distância no Centro-Oeste e virou a região Norte, onde Lula havia vencido Bolsonaro por pequena margem em 2022.
O Nordeste é a única região onde Lula venceu no primeiro turno de 2026, com 63,8% dos votos, contra 30,9% de Flávio Bolsonaro. Ainda assim, o resultado está longe de ser uma má notícia para o candidato do PL, pois foi justamente no Nordeste que ele mais cresceu em comparação com Jair Bolsonaro em 2022. Flávio Bolsonaro seguiu a trilha aberta pelo pai na região. Em 2022, Bolsonaro obteve 1,3 milhão de votos a mais no Nordeste em relação a 2018. Agora, Flávio avançou mais 1,6 milhão de votos. No saldo, são quase 3 milhões de votos a mais para a família Bolsonaro no Nordeste em oito anos. Esse crescimento, no entanto, não é homogêneo. O foco do ganho de votos está na região conhecida como Matopiba, que engloba parte do Maranhão, o sul do Piauí, o oeste da Bahia e o Tocantins, na região Norte. O Matopiba é considerado a última fronteira de expansão do agronegócio brasileiro. Flávio Bolsonaro também cresceu no Ceará, mas por razões diferentes. Em 2022, o cearense Ciro Gomes concorreu à Presidência e obteve 6% dos votos no estado. Com Ciro Gomes fora do jogo nacional, Flávio foi quem mais avançou no Ceará. O filho de Jair ampliou ainda a votação em Alagoas, em mais de 114 mil votos, estado de origem do candidato a vice-presidente Alberto Gaspar (PL). Em comício realizado em Natal (RN) no final de setembro, Flávio Bolsonaro agradeceu a recepção e declarou: "É sinal que o Nordeste está virando e a gente está crescendo por onde passa. O Nordeste acordou, ninguém cai mais nessas falsas promessas do Lula".
O Sudeste foi decisivo para a vitória de Lula em 2022. O Nordeste, sozinho, não teria sido suficiente para que o petista vencesse Jair Bolsonaro. Foi um enorme avanço no Sudeste, em comparação com Fernando Haddad (PT) em 2018, combinado ao resultado do Nordeste, que garantiu a eleição de Lula. Em 2026, porém, Lula recuou no Sudeste, obtendo 1,8 milhão de votos a menos que nas eleições anteriores. Em São Paulo, perdeu 984 mil votos, sendo 224 mil apenas na capital. Em Minas Gerais, a perda foi de outros 619 mil votos, com foco em um arco que circunda o estado de Goiás, do noroeste de Minas até o Triângulo Mineiro, região forte no agronegócio. No Sul, o apoio a Lula caiu 512 mil votos no Rio Grande do Sul e 309 mil votos no Paraná. No Centro-Oeste, a principal perda foi em Goiás, com 266 mil votos a menos. O estado é o único do país onde um terceiro candidato conseguiu mais de 10% dos votos: o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) obteve 12%, seis vezes a sua média nacional. Em Minas, o ex-governador Romeu Zema ficou em sexto lugar, com 0,82% dos votos. O cenário traçado pelo primeiro turno de 2026 revela uma reconfiguração do mapa eleitoral brasileiro, com Flávio Bolsonaro consolidando bases tradicionais do bolsonarismo e avançando em territórios historicamente favoráveis ao PT.