Flávio Bolsonaro anima mercado, sinaliza boletim do BC

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Após resultado do primeiro turno com Flávio Bolsonaro à frente, economistas revisam inflação e Selic no boletim Focus do Banco Central
Os economistas elevaram a previsão da inflação e reduziram a expectativa para a taxa Selic em 2025, segundo o boletim Focus divulgado nesta terça-feira (13) pelo Banco Central. O levantamento foi o primeiro a capturar o impacto do resultado eleitoral, já que a pesquisa anterior, encerrada no dia 1°, antecedeu o primeiro turno das eleições presidenciais. Para 2027, os analistas mantiveram a inflação em 4,3%, a taxa de juros em 12% e o PIB (Produto Interno Bruto) em 1,4%. Para os dois anos seguintes, houve ajustes pontuais. A previsão da inflação foi reduzida para 2028 (de 3,8% para 3,79%) e 2029 (de 3,51% para 3,50%), enquanto a estimativa do PIB para 2028 subiu de 1,81% para 1,83%. A expectativa para a Selic foi mantida em 10,5% para 2028 e em 10% para 2029.
A mudança mais expressiva ocorreu nas projeções para o ano corrente. A inflação saltou de 5,01% para 5,22%, após o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrar alta de 0,82% em setembro, conforme dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na sexta-feira. A pressão sobre os preços era esperada com o encerramento do bônus de Itaipu: sem o desconto temporário, a conta de luz subiu 7,98% em setembro. Combustíveis, passagens aéreas e alimentos também ficaram mais caros, contribuindo para a alta do índice. Outra alteração relevante no Focus foi a queda na previsão da Selic, de 13,5% para 13,25%, com o mercado passando a antecipar cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de novembro e dezembro. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75%. Na semana anterior, não havia expectativa de redução em dezembro.
A despeito das revisões nos índices econômicos, o mercado financeiro reagiu com entusiasmo ao resultado do primeiro turno. A vantagem de Flávio Bolsonaro na primeira etapa da disputa levou a Bolsa a superar 209 mil pontos na sexta-feira (9), o maior patamar da história, em uma semana marcada pela disparada das ações. O dólar fechou abaixo de R$ 5 no mesmo dia. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição. O resultado foi recebido com otimismo por parte do mercado, que associa uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à perspectiva de uma política fiscal mais restritiva. A expectativa de parte dos agentes de mercado é que uma mudança de governo resulte em maior controle dos gastos públicos e em medidas capazes de melhorar a trajetória das contas públicas, o que poderia favorecer os ativos brasileiros.
Flávio Bolsonaro promete um "tesouraço" de gastos de 2% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 250 bilhões. O núcleo do plano prevê a desvinculação dos reajustes da Previdência Social — aposentadoria e outros benefícios — e do BPC (Benefício de Prestação Continuada) em relação aos ganhos reais do salário mínimo, além do fim dos pisos constitucionais que atrelam os gastos com saúde e educação ao comportamento das receitas federais. O boletim Focus, portanto, reflete um cenário em que as perspectivas econômicas de curto prazo foram influenciadas tanto pela pressão inflacionária quanto pelo otimismo do mercado diante do desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.