Número de CNPJ cresce 41% em dez anos no Brasil

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Dez empresas mostram como o empreendedorismo brasileiro transforma oportunidades em negócios consolidados em mercados competitivos
O empreendedorismo segue ganhando espaço no Brasil, impulsionado pelo aumento da formalização e pela consolidação de negócios criados por quem enxergou oportunidades em diferentes mercados. Segundo dados da pesquisa "Empreendedorismo Informal Sob a Ótica da PNAD Contínua", analisados pelo Sebrae, o número de empresas com CNPJ cresceu 41% entre 2015 e 2025, passando de 7,45 milhões para 10,5 milhões. O cenário não se resume à abertura de novos negócios: a consolidação de empresas também ganha destaque, com o país ocupando a 6ª posição mundial em taxa de empreendedores estabelecidos, com 12,4% da população adulta mantendo negócios há mais de 3,5 anos, segundo o Monitor Global de Empreendedorismo (GEM 2025). Celebrado em 5 de outubro, o Dia do Empreendedor coloca em evidência as trajetórias de quem transforma oportunidades em negócios e encontra diferentes caminhos para crescer em mercados competitivos. O empreendedorismo vai além da decisão de abrir uma empresa: em muitos casos, a jornada passa por identificar necessidades pouco atendidas, desenvolver soluções e adaptar o modelo de negócio conforme novas demandas surgem. É esse movimento que aparece nos cases a seguir.
Um exemplo é a Saúde Livre Vacinas, rede especialista em imunização que nasceu da necessidade pessoal do casal Fábio Argenta e Rosane Orth Argenta, que enfrentaram dificuldades para encontrar vacinas complementares para os próprios filhos. Com investimento inicial de R$ 30 mil, abriram a primeira unidade em 2012 em Lucas do Rio Verde (MT) e entraram para o franchising em 2017. Hoje, a rede conta com mais de 200 unidades entre abertas e em implantação pelo Brasil, registrando cerca de 240 mil doses aplicadas por ano e faturamento médio de R$ 90 mil por unidade. A meta é chegar a 254 operações até o fim deste ano. Em 2025, a empresa faturou R$ 110,2 milhões e projeta alcançar R$ 172 milhões em 2026, crescimento de 70%. "Somos muito claros quanto ao potencial do negócio. Pensamos que a verdade e a clareza são importantes para o alinhamento de expectativas de ambas as partes", comenta Rosane, CEO da rede. Quando se pensa em adaptação a uma demanda de mercado, destaca-se o Emagrecentro, rede especializada em emagrecimento e estética corporal. Fundada pelo médico Edson Ramuth em 1986, em São Bernardo do Campo (SP), a empresa começou como um centro médico e incorporou tratamentos de estética e emagrecimento ao perceber uma procura crescente por esse tipo de serviço. Em 1994, o Dr. Ramuth transformou a clínica em uma rede de franquias e, anos depois, ampliou o perfil dos franqueados, separando a gestão do atendimento médico. "Hoje, temos orgulho de ter atendido e transformado a vida de mais de 5 milhões de pessoas, com mais de 450 unidades no Brasil e operações em outros países, como Estados Unidos e Paraguai. Para este ano, prevemos crescer cerca de 20% e inaugurar 60 novas clínicas, além de continuar avançando internacionalmente", conta o Dr. Ramuth, fundador e CEO da rede.
Empresas como a Baunny, confecção especializada em moda fitness premium e produção em modelo White Label, mostram como uma mudança de rota pode acontecer ainda no início de uma marca. Fundada em 2025 pelas amigas Camila Hathy e Raissa de Albuquerque, a empresa nasceu com foco no consumidor final, mas começou a receber pedidos de outras marcas interessadas em suas peças e modelagens. "Começamos pensando no consumidor final, mas percebemos que outras marcas estavam procurando a gente pelas nossas peças e modelagens. Quando esses pedidos começaram a se repetir, entendemos que existia uma oportunidade ali e decidimos redirecionar o negócio para atender também outras empresas, entrando de vez no mercado B2B", afirma Camila Hathy, cofundadora e diretora de Comunicação da Baunny. Hoje, a empresa já produziu para cerca de 300 marcas no Brasil e no exterior e projeta faturar R$ 10 milhões em 2026. A percepção de uma dor de mercado também está na origem da Yungas, plataforma especializada na gestão de grandes marcas que conecta mais de 32 mil unidades e atende mais de 200 redes no Brasil e no exterior.
Criada por Guilherme Reitz em 2018, a empresa surgiu para solucionar um desafio identificado no setor de franquias: organizar informações e transformar dados de milhares de operações em decisões mais eficientes. "A nossa plataforma centraliza a comunicação, treinamentos, auditorias, checklists, indicadores e recursos de inteligência artificial em um único ambiente, substituindo processos antes espalhados por planilhas, e-mails e aplicativos de mensagens. Hoje, na Yungas ampliamos o uso de inteligência artificial para apoiar a gestão e a tomada de decisões dessas redes", compartilha Guilherme Reitz, sócio-fundador e CEO da Yungas.
A experiência acumulada antes de empreender também pode ser o ponto de partida de um negócio. É o caso de Samara Perez, fundadora da Markable, agência de comunicação especializada no setor de franquias. Jornalista com passagens por varejo, turismo e grandes agências de assessoria de imprensa, ela abriu o próprio negócio em 2009, começando na sala de casa com uma estrutura enxuta. Após uma primeira sociedade que não correspondeu aos seus planos, criou a Markable em 2011. As indicações espontâneas de clientes levaram a agência à especialização em franquias e, desde 2016, Samara comanda a operação a distância, dos Estados Unidos. Em 15 anos, a Markable já atendeu mais de 300 clientes e cresceu mais de 500% em uma década. "Sempre acreditei que cuidar das pessoas e entregar com excelência em cada detalhe era o melhor caminho para crescer. Agora, com a inteligência artificial, estamos reformulando nossos processos e preparando nos tornar uma agência 360°", afirma Samara Perez, fundadora e CEO da Markable.
Em mercados mais tradicionais, Cleber Gomes, fundador da Maestria, empresa especializada em consórcios e produtos financeiros no B2B, criada em sociedade com Márcio Müller, encontrou sua oportunidade durante a faculdade, ao ter o primeiro contato com o mercado de consórcios. Após uma sociedade mal sucedida que trouxe dificuldades financeiras, Cleber reconstruiu sua trajetória ao lado de Márcio, e juntos fundaram a Maestria em 2014, em Porto Alegre (RS), inicialmente sem capital próprio. "Mais de uma década depois, já movimentamos mais de R$ 5 bilhões em vendas de consórcio desde a fundação, sendo R$ 1,6 bilhão somente em 2025. Para 2026, a nossa expectativa é alcançar R$ 3 bilhões em vendas e ampliar a rede para 300 operações", afirma Cleber Gomes.
A lógica de identificar um gargalo e criar uma solução também aparece no mercado de investimentos. A Arara Seed, plataforma de equity crowdfunding criada por Henrique Galvani em 2022, nasceu da percepção de que muitos negócios do agronegócio e de startups enfrentavam dificuldades para encontrar capital e crescer. "Ao conhecer mais de perto o ecossistema de startups e venture capital, percebi que existia uma oportunidade de aproximar investidores de empresas que estavam criando soluções importantes para o agro, mas ainda tinham poucas alternativas para captar recursos", afirma Galvani. Hoje, a Arara Seed conecta investidores a startups de agro, food e climate tech, com meta de chegar a R$ 120 milhões investidos em 100 startups até 2030. O empreendedorismo também se manifesta na leitura das mudanças sociais. Em 2002, Leonildo e Roseli Aguiar criaram a Academia Gaviões 24h, pioneira no segmento de academias com funcionamento ininterrupto em São Paulo. Atualmente, a marca atende mais de 400 mil alunos em mais de 120 unidades, com planos de encerrar o ano com 300 unidades em operação e implantação. "Nossa visão de empreendedorismo sempre esteve ligada à capacidade de antecipar movimentos e entender como as mudanças na rotina das pessoas podem abrir espaço para novos modelos de negócio", destaca Priscila Aguiar, CEO à frente da Academia Gaviões 24h.