Surto de Ebola ameaça Reino Unido e exige resposta global urgente

Ebola, imagem gerada por IA
Surto de Ebola já soma mais de 10 mil casos e quase 5 mil mortes em três regiões africanas, alerta diretor do Africa CDC
O surto de Ebola na África pode chegar ao Reino Unido e a outros países do mundo. O alerta foi feito por Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), conforme relatou o jornal britânico "The Guardian".
O surto já acumula 10.091 casos e 4.891 mortes, afetando três regiões africanas, e Kaseya defende que todos os países precisam elevar o nível de preparação e ampliar as possibilidades de tratamento. A maior concentração de casos está na República Democrática do Congo, com 10.060 registros.
O país enfrenta seu 17º surto de Ebola desde a identificação da doença, desta vez causado pelo vírus Bundibugyo. O Ministério da Saúde congolês declarou o surto na província de Ituri em 15 de maio, embora o sequenciamento genético indique que a disseminação tenha começado em fevereiro.
Trata-se do maior e mais letal surto já registrado no país. Além do Congo, Quênia e Uganda também registraram mortes pela doença. A Nigéria confirmou um caso na capital Abuja: a paciente havia chegado de Uganda e testou positivo para o vírus Ebola, evidenciando o risco de dispersão internacional.
O Ebola se transmite pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou mortas. Sangue e vômito estão entre os fluidos capazes de transmitir a doença, inclusive durante a preparação de funerais.
O vírus Bundibugyo, responsável pelo surto atual, não possui tratamento aprovado, mas testes de vacinas estão em andamento. Kaseya afirmou que os resultados devem estar disponíveis entre três e seis meses.
A resposta ao surto tem sido prejudicada por uma série de fatores. A falta de equipamentos de proteção e o não pagamento de salários de profissionais de saúde comprometem o atendimento nas áreas afetadas. Greves, conflitos armados no Congo, desinformação e desconfiança em relação às autoridades também dificultam o controle da epidemia.
Diante desse cenário, Kaseya pretende solicitar cooperação entre os países africanos para ampliar a triagem e os testes nas fronteiras. "Não queremos ver o Reino Unido e outros países se tornando o centro da crise", afirmou o diretor-geral.
Governos ao redor do mundo prometeram US$ 3 bilhões para enfrentar a situação, mas mais de US$ 2 bilhões ainda não foram liberados. Países africanos se comprometeram com US$ 120 milhões, e o restante deve vir de doadores internacionais.
O surto de Ebola segue em expansão e representa uma ameaça que vai além das fronteiras africanas. Com casos confirmados em múltiplos países e a possibilidade de disseminação global, especialistas reforçam a necessidade de resposta coordenada e urgente para conter o avanço da doença.