Douglas Ruas é eleito governador do RJ após retotalização dos votos

TRE-RJ retotaliza votos após anulação dos votos de Garotinho e declara Douglas Ruas eleito no primeiro turno com 50,88%
Após a retotalização dos votos, o TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) declarou nesta sexta-feira que Douglas Ruas (PL) está eleito governador do Rio de Janeiro já no primeiro turno. O candidato do Partido Liberal atingiu 50,88% dos votos válidos, totalizando 4.271.199 votos computados. Eduardo Paes (PSD) ficou em segundo lugar, com 44,16% dos votos. A mudança no resultado foi consequência de uma decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que na quinta-feira (8) anulou os votos de Anthony Garotinho. O ex-governador havia disputado a eleição sob força de recurso, após ter sido declarado inelegível. Com os votos de Garotinho — que havia obtido 3,17% no primeiro turno — excluídos da contagem, Douglas Ruas ultrapassou a marca de 50% dos votos válidos, sendo declarado eleito sem necessidade de segundo turno. Antes da anulação, Ruas contabilizava 49,27% e Paes, 42,76%.
Douglas Ruas foi deputado estadual e presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). É filho de Capitão Nelson (PL), prefeito de São Gonçalo, e também atuou como secretário estadual das Cidades no governo de Cláudio Castro (PL), de quem é aliado. Ruas integra o mesmo campo político de Rodrigo Bacellar (União), preso por suposto envolvimento com o Comando Vermelho. Bacellar foi inicialmente cotado para disputar o Palácio Guanabara, mas, em meio às investigações e à prisão, o nome de Márcio Canella (União) chegou a ser aventado para a disputa, sem avançar. Canella acabou sendo eleito deputado estadual. Em fevereiro, Flávio Bolsonaro (PL) definiu Douglas Ruas como pré-candidato ao governo do estado, e ao longo da campanha os dois participaram de agendas conjuntas, como motocarreatas e comícios.
O governador eleito é investigado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) por suposta organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. O MP apura o crescimento patrimonial de empresas ligadas a Douglas Ruas. Uma reportagem da Folha de S.Paulo revelou transações imobiliárias e de precatórios nos últimos anos, e que as empresas teriam adquirido mais de R$ 15 milhões em bens. No caso de Garotinho, o TRE-RJ havia negado o registro de sua candidatura em setembro, por entender que ele teria os direitos políticos suspensos em razão de uma condenação por improbidade administrativa. A questão está relacionada ao início da contagem dos oito anos de inelegibilidade previstos na Lei da Ficha Limpa.
A condenação tem origem no período em que Rosinha, mulher de Garotinho, governava o estado, enquanto ele chefiava a Secretaria de Governo. Em 2 de outubro, o ministro Floriano Marques revogou uma liminar favorável a Garotinho, mantendo seus votos sub judice. No dia 4 de outubro, data da votação, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que os votos continuassem a ser contabilizados até o julgamento definitivo pelo plenário. Eduardo Paes recorreu contra a decisão e pediu que a eleição fosse decidida em segundo turno. Na quinta-feira (8), o ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou o recurso com o argumento de que o STF ainda não tem competência para analisar o pedido, uma vez que as vias recursais no próprio TSE não foram esgotadas.
Após a decisão, Paes reconheceu a derrota. "No último domingo, a maioria dos eleitores fluminenses votou para que a eleição para governador do Rio de Janeiro fosse decidida no segundo turno. Infelizmente, a Justiça decidiu que não haverá segundo turno, contrariando a vontade soberana dos eleitores. E decisão judicial a gente respeita. É assim que funciona a democracia", escreveu nas redes sociais. Com a declaração oficial do TRE-RJ, Douglas Ruas está confirmado como governador eleito do Rio de Janeiro no primeiro turno, após a exclusão dos votos anulados de Garotinho ter alterado o cenário eleitoral de forma definitiva.