CTVacinas da UFMG cria vacinas contra dengue

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O CTVacinas da UFMG desenvolve quatro imunizantes contra dengue e malária, doenças que afetam milhões de brasileiros todos os anos.
O Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG, o CTVacinas, avança no desenvolvimento de imunizantes contra dengue e malária, duas das doenças transmitidas por mosquitos que mais afligem a população brasileira. Quatro iniciativas estão em andamento na instituição, reunindo pesquisadoras dedicadas a criar vacinas capazes de enfrentar esses problemas de saúde pública. Minas Gerais vive a expectativa de um novo surto de dengue, cenário agravado pelo fenômeno climático El Niño. No CTVacinas, a pesquisadora Nathália Pereira trabalha no desenvolvimento de um imunizante que contemple todos os quatro sorotipos da doença. Segundo ela, "a gente tem quatro sorotipos de dengue hoje e a vacina que a gente tem como objetivo final, ela contempla todos os sorotipos. E o Brasil hoje, quando a gente olha para os números totais de afetados pela dengue no mundo, o Brasil representa todo ano 50% desses casos dos números mundiais. Então, aqui no Brasil é um problema de saúde pública muito grande".
Outra frente de pesquisa contra a dengue no CTVacinas é conduzida pela pesquisadora Sarah Sérgio, que trabalha com tecnologia de RNA para criar um imunizante. Ela explica as vantagens dessa abordagem: "O RNA, ele tem uma vantagem que ele é uma molécula, um pedaço de DNA, por exemplo, não é exatamente pedaço de DNA, mas ele é uma partícula que ele consegue entrar no organismo e ficar por pouco tempo. Ele gera nossa resposta imunológica ao produzir um pedaço desse vírus, por exemplo, mas ele não vai continuar no organismo, então ele é eliminado rapidamente, o que garante uma maior segurança nesse ponto."
A malária é uma das doenças mais ameaçadoras do norte do Brasil. Natural de Manaus, capital do Amazonas, a pesquisadora Luna Lacerda conhece de perto o impacto da doença na região. "A malária é muito presente na região amazônica, são muitos casos diários. A gente vai fazendo as coletas lá em Porto Velho, e a gente vê pacientes que já tiveram mais de 30 casos de malária durante a vida. Então, é muito recorrente.
O tratamento, ele é muito pesado, então, causa muita comorbidade, é muito difícil de tratar e é uma doença que ela é muito persistente. Você pode ter várias vezes ao longo da vida e com repetições frequentes. Então, isso é muito sério mesmo para a população", afirma. O imunizante que Luna Lacerda ajuda a desenvolver no CTVacinas tem como diferencial a proteção contra os dois tipos mais prevalentes de malária. "A malária tem uma que é mais prevalente aqui no Brasil, que é a malária vivax, e tem uma mais prevalente na África. Essa vacina, ela seria muito interessante, por quê? Existe uma vacina para a malária da África, agora está vindo a vacina para a malária do Brasil e a minha vacina seria para as duas malárias", explica a pesquisadora. Um quarto imunizante desenvolvido no CTVacinas é voltado especificamente para a malária que ocorre no Brasil.
A pesquisadora Graziella Rivelli integra esse projeto, chamado Vivaxin, desenvolvido em parceria com a Universidade de São Paulo. "Ele é um medicamento biológico que vai ser capaz de proteger as pessoas contra a malária causada por Plasmodium vivax. Esse Plasmodium vivax, ele é um parasito que é transmitido pela picada do Anopheles, conhecido como mosquito prego. E ele é muito predominante na região amazônica. Então, é uma vacina de uma grande importância nacional para que a gente possa prevenir a malária, que é uma doença endêmica", detalha Graziella. As pesquisas conduzidas no CTVacinas contra dengue e malária têm em comum a necessidade de tempo para serem desenvolvidas com segurança.
A pesquisadora Sarah Sérgio ressalta a importância de cada etapa do processo: "A gente quer segurança, a gente quer eficácia, a gente quer que essa vacina funcione, que seja realmente segura para as pessoas. É muito importante todas as etapas, então a gente tem que garantir que essa vacina primeiro funciona corretamente em camundongos, em modelos pré-clínicos, para a gente realmente passar por todas as etapas em humanos no ensaio clínico, para a gente garantir que essa vacina é segura, que ela não vai causar nenhum tipo de efeito colateral".