Cleitinho fala sobre desafios para o novo governo

Foto: Senado Federal
Governador eleito de Minas Gerais fala sobre a transição de fiscalizador a gestor e os planos para o novo mandato a partir de 2027
A trajetória política de Cleitinho Azevedo começou com 3.023 votos para vereador em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, e chegou, dez anos depois, ao comando do Estado. As declarações ocorreram em entrevista ao g1 Centro-Oeste, Triângulo, Alto Paranaíba e Zona da Mata, o governador eleito falou sobre a mudança de papel na política, a relação com a cidade onde iniciou a carreira e os planos para o novo mandato.
Entre os principais temas da conversa esteve o vínculo de Cleitinho com Divinópolis, município onde ele construiu a base que o levou, em uma década, de vereador a governador eleito. A partir de 2027, ele assumirá o comando de Minas Gerais e terá sob sua gestão as demandas dos 853 municípios mineiros, sem deixar de lado a cidade que considera o ponto de partida de sua carreira. "Eu devo tudo a Divinópolis" Cleitinho atribui a Divinópolis parte importante da trajetória que o levou ao governo de Minas. Foi na cidade que ele iniciou a carreira política, eleito vereador em 2016 com 3.023 votos.
Agora, como governador eleito, ele afirma que pretende continuar próximo do município e manter a relação construída ao longo dos anos. "Eu devo tudo a Divinópolis (...) Então, a primeira coisa que aconteceu na minha vida na política foi em Divinópolis, foram os 3.023 votos que eu tinha para vereador, que me fez agora ter essa oportunidade de ser governador. Então, vou ser sempre grato", disse. A relação com a cidade também aparece nas discussões sobre a destinação de emendas parlamentares. Cleitinho já foi alvo de críticas por concentrar parte dos recursos do seu mandato na cidade e na região.
Em sua defesa, ele afirmou: "Eu mandei recursos para o estado inteiro. Só que é minha casa, não adianta eu querer cuidar da casa dos outros se eu não estou cuidando da minha casa". Como governador, porém, ele reconhece que a responsabilidade será diferente. "Então, agora eu virei governador, a cidade de Divinópolis vai ser penalizada porque o governador é de Divinópolis? Eu vou cuidar de todos e vou continuar honrando a minha cidade". De cobrador a cobrado: "eu vou virar vidraça" A chegada ao Executivo estadual muda a posição ocupada por Cleitinho na política mineira. Como vereador, deputado estadual, deputado federal e senador, ele construiu a imagem política baseada principalmente em fiscalização e cobranças ao poder público.
A partir de 2027, estará do outro lado, responsável por decisões que também serão alvo de críticas. O próprio governador eleito reconhece a mudança. "Eu era sempre pedra. O que vai acontecer comigo agora é que eu vou virar vidraça, mas não tem problema nenhum, eu tenho a responsabilidade de entender que esse é o cargo mais importante da minha vida". Para enfrentar o novo desafio, Cleitinho afirmou que pretende montar uma equipe técnica e escolher secretários especializados para cada área do governo. Segundo ele, o governador não precisa dominar todos os setores da administração, mas deve saber escolher as pessoas certas. "O governo é uma empresa e cabe a você colocar as pessoas certas no lugar certo", declarou.
Cleitinho disse ainda que pretende concentrar sua atuação nas decisões políticas e na cobrança por resultados. "Eu tenho que simplesmente pegar o dinheiro do povo, que ele paga de imposto, e devolver para a população". "Eu tinha nojo de política" A ascensão política de Cleitinho, segundo ele, não foi planejada. Até pouco antes de disputar a primeira eleição, ele não tinha título de eleitor. Aos 33 anos, precisou tirar o documento para poder votar na própria candidatura a vereador em 2016. Antes de entrar para a política, ele atuava como músico em Divinópolis e trabalhava no varejão do pai com os irmãos. "Até dez anos atrás, para mim ser candidato a vereador eu tinha que ter tirado um título de eleitor. Só que eu tinha nojo de política, nojo", afirmou.
Ele contou que, quando acompanhava notícias sobre política, sua associação era principalmente com corrupção. "Nunca imaginei na minha vida ser político. Nunca passou na minha cabeça, isso é tudo obra de Deus". Divinópolis no tabuleiro político de Minas A força do grupo político de Cleitinho em Divinópolis também aparece na composição parlamentar formada após as eleições. Além do próprio Cleitinho no governo de Minas, a cidade conta com seus irmãos Gleidson Azevedo e Eduardo Azevedo, eleitos para deputado federal e estadual, respectivamente, e com o amigo Domingos Sávio, eleito senador, que também mantém uma relação histórica com o município.
É a partir desse cenário que Cleitinho acredita que Divinópolis pode se tornar uma referência política no interior de Minas. "A gente tem que dialogar, a gente tem que fazer reunião, a gente tem que fazer um plano de trabalho, não só para Divinópolis, tem que fazer para toda Minas Gerais", defendeu. Mesmo com a agenda concentrada em Belo Horizonte a partir da posse, Cleitinho afirma que pretende preservar a relação com a cidade onde começou a trajetória política. O político, que até então ocupava uma cadeira no Senado e se dividia entre Brasília e Divinópolis, assumirá o governo estadual em 1º de janeiro de 2027. Nos primeiros dias após o resultado das eleições, ele retornou às atividades no Congresso e passou a cumprir compromissos relacionados à transição para o novo cargo. Na última quinta-feira (15), após um discurso no plenário do Senado, ele passou mal e precisou de atendimento médico, sendo liberado em seguida e orientado a repousar.