Centrão inicia negociações e maioria das siglas tende a apoiar Flávio

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Ricardo Stuckert e Vittor Sales
Partidos do Centrão avaliam apoio a Flávio Bolsonaro ou Lula no segundo turno marcado para 25 de outubro
Com a definição do segundo turno na disputa pela Presidência da República, os partidos do Centrão iniciaram nesta terça-feira (6) as negociações de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O cenário ainda é de cautela entre os congressistas, mas a expectativa é de que a maioria das siglas se posicione a favor do candidato do PL.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que os eleitores voltarão às urnas em 25 de outubro. No domingo (4), com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro somou 47,03% dos votos, enquanto Lula obteve 45,16%.
O resultado reconfigurou o cenário político e alterou a percepção de integrantes do PP, PSD e União Brasil, que aguardam o posicionamento das lideranças antes de declarar apoio a qualquer um dos candidatos.
Ao terminar na frente no primeiro turno, Flávio Bolsonaro passou a contar com a simpatia de parte do Centrão. Um dos primeiros movimentos concretos veio do PSD: o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, que foi candidato da sigla nas eleições, formalizou nesta terça-feira o apoio ao candidato do PL.
Ainda que o PSD tenha liberado sua base no primeiro turno para que os políticos apoiassem conforme as alianças estaduais, o grupo da direita espera que o apoio seja majoritário a Flávio Bolsonaro na segunda etapa do pleito.
Lula tentará angariar apoios em outras frentes do Centrão, mas a tendência é que o PP e o Republicanos também embarquem na campanha do PL. Se no primeiro turno as duas siglas não fizeram um movimento de apoio declarado, agora Flávio Bolsonaro espera contar com parte importante dos dois partidos.
Ambos tiveram ministros no governo Lula, mas não demonstraram apoio ao petista antes do primeiro turno. O Republicanos tem hoje como uma de suas principais lideranças o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que já afirmou ter como objetivo conduzir Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
O único ponto de tensão no partido é o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), cujo pai, Nabor Wanderley (Republicanos), recebeu apoio de Lula na disputa ao Senado, o que estreitou os laços entre Motta e o petista.
O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL), avaliou que o apoio do Republicanos está "quase fechado, com algumas dissidências", e informou que o partido ainda terá conversas com seu presidente, Marcos Pereira, para as definições finais.
"Conversamos durante as eleições, e logo após o resultado nós conversamos. Ao longo da semana teremos uma conversa. Quase que a unanimidade do Republicanos pelo país, com algumas dissidências, notadamente na Paraíba, mas a maioria do partido tende a ficar conosco", afirmou Marinho.
Já o PP marcou uma reunião para esta terça-feira com presidentes de diretórios estaduais, deputados e senadores para definir o apoio no segundo turno.
O encontro na Câmara dos Deputados pode, por tabela, definir também o posicionamento do União Brasil, já que os dois partidos formam uma federação e tendem a seguir o mesmo alinhamento político nesses cenários.
O MDB, por sua vez, deve manter neutralidade e liberar os apoios de acordo com as alianças estaduais. Apesar de o partido não ter sinalizado formalmente um posicionamento, o ex-presidente Michel Temer afirmou, em gravação, que a sociedade busca "novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente", e que Flávio Bolsonaro representaria essa ruptura.
Para entender as tendências eleitorais e definir apoios, políticos têm recorrido a plataformas internacionais de "mercado de previsões", onde apostadores negociam suposições com dinheiro real — geralmente em criptomoedas — sobre a probabilidade de eventos futuros.
Após o primeiro turno, essas plataformas ampliaram a vantagem de Flávio Bolsonaro, o que também influenciou a percepção de parte dos parlamentares, que consideram "estratégico" apoiar o candidato que lidera as projeções.
Pesquisas recentes também apontam Flávio Bolsonaro como favorito no segundo turno, reforçando a movimentação dos partidos do Centrão em sua direção.