Cenipa registra 140 acidentes aéreos em MG nos últimos 10 anos

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Levantamento do Cenipa aponta 71 mortes em acidentes aéreos em Minas Gerais nos últimos dez anos, com nove ocorrências só em 2024
Minas Gerais registrou 140 acidentes aéreos e 71 mortes nos últimos dez anos, de acordo com dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Somente em 2024, o estado contabilizou nove ocorrências e quatro mortes. Os números têm gerado preocupação especialmente em Belo Horizonte, onde acidentes recentes elevaram a apreensão de moradores que vivem próximos a rotas de pouso e decolagem. A situação ganhou ainda mais destaque nesta sexta-feira (9), quando dois aviões caíram em Minas Gerais com intervalo de menos de cinco horas.
No período da manhã, um monomotor caiu sobre o trilho da estação de metrô próxima à estação São Gabriel, em Belo Horizonte, resultando na morte do piloto. Já no fim da tarde, uma aeronave da Polícia Militar caiu nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, entre Ipatinga e Santana do Paraíso, vitimando três integrantes da corporação que estavam a bordo.
Segundo o Cenipa, os últimos dez anos registraram 13 acidentes envolvendo voos partidos do Aeroporto da Pampulha, com 12 mortes nessas ocorrências. Em maio deste ano, um monomotor caiu apenas três minutos após decolar do terminal. Três pessoas morreram e duas ficaram feridas. Imagens do Globocop registraram o momento em que a aeronave perdeu altitude e atingiu um prédio residencial no bairro Silveira, na Região Nordeste de Belo Horizonte. Três meses depois, outro monomotor que havia partido de BH caiu no distrito de Serra Azul, em Mateus Leme, na Região Metropolitana. Antes do impacto, o piloto conseguiu acionar o paraquedas da aeronave e foi socorrido para atendimento médico.
Entre os episódios mais graves dos últimos anos, destaca-se a queda de um avião da Polícia Federal em março de 2024, logo após a decolagem na Pampulha, que resultou na morte de dois policiais federais. Dois meses antes, em janeiro de 2024, um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal realizou um pouso forçado na Avenida Tereza Cristina, na Região Oeste de Belo Horizonte. Um caminhoneiro que era transportado após um acidente de trânsito morreu dias depois no hospital. Em 2023, um avião de pequeno porte caiu sobre uma casa no bairro Jardim Montanhês durante a aproximação para pouso, matando o piloto.
De acordo com os dados do Cenipa, os tipos de ocorrência mais frequentes registrados em Minas Gerais desde 2019 incluem perda de controle em voo, falha ou mau funcionamento do motor e excursão de pista, quando a aeronave ultrapassa os limites da pista durante a decolagem ou o pouso. Para Kerley Oliveira, professor de aviação da PUC Minas, a maioria dos acidentes está relacionada ao fator humano. "Em média, 80% dos acidentes têm como fator contribuinte principal o fator humano. O fator material está em uma faixa muito pequena. A máquina, o equipamento hoje, é muito seguro. A gente tem engenharia de confiabilidade, redundância e inspeções periódicas", afirmou.
Neste domingo (11), completam-se dois anos da queda de um helicóptero dos bombeiros em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, tragédia que matou seis pessoas. A aeronave, conhecida como Arcanjo 4, realizava buscas por sobreviventes de um acidente com um monomotor quando caiu em uma serra íngreme da cidade histórica. Os corpos das vítimas foram encontrados próximos aos destroços. Estavam a bordo quatro bombeiros, um enfermeiro e um médico do Samu. O conjunto de dados levantados pelo Cenipa reforça a necessidade de atenção contínua à segurança da aviação em Minas Gerais, especialmente diante da concentração de ocorrências na capital e em sua região metropolitana.