Brasil pode ter aumento de 10,8% em mortes cardiovasculares até 2030

Representação tridimensional de um coração humano © Ministério da Saúde/Divulgação
O Cardiômetro, ferramenta da SBC, integra novo Hub de Doenças Cardiovasculares e aponta 318.945 mortes acumuladas em 2026 no Brasil
A cada 72 segundos, uma pessoa morre por doença cardiovascular no Brasil. Até o dia 16 de outubro, o número acumulado de óbitos em 2026 havia chegado a 318.945, segundo o Cardiômetro, ferramenta da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) que passou a integrar o novo Hub de Doenças Cardiovasculares. Os dados apontam uma média de 1.194 mortes por dia, ou cerca de 50 óbitos por hora.
O Cardiômetro agora faz parte de uma plataforma lançada pela SBC em parceria com a World Heart Federation (WHF). O Hub utiliza dados de mortalidade do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e estimativas epidemiológicas do Global Burden of Disease (GBD) 2023. Para o cálculo das taxas de mortalidade, são utilizadas estimativas populacionais disponibilizadas pelo DataSUS, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre as informações disponíveis no novo Hub estão séries históricas de mortalidade registradas entre 2000 e 2024, além de projeções para os próximos anos. De acordo com as estimativas, se mantida a tendência das últimas duas décadas, o Brasil registraria um aumento de 10,8% nas mortes por doenças cardiovasculares até 2030, passando de 417.550 óbitos em 2024 para 462.573 em 2030.
O cardiologista Antonio Luiz Pinho Ribeiro, coordenador da plataforma, ressalta que as projeções representam cenários prováveis caso as tendências observadas nas últimas duas décadas se mantenham. "Ou seja, a previsão não determina exatamente qual será o patamar em 2030, principalmente se houver mudanças significativas na prevalência de fatores de risco, na ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento e na implantação de políticas públicas de prevenção", afirma o médico.
Os dados reforçam a importância de intervenções capazes de alterar essa trajetória, como o controle da hipertensão e do diabetes, a redução do tabagismo, o combate à obesidade e ao sedentarismo e o atendimento rápido de casos de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Ribeiro destaca que esforços nessas áreas resultaram em queda expressiva da taxa de óbitos nos últimos 20 anos. Em 2024, a taxa de mortalidade era de 195 óbitos a cada 100 mil habitantes, uma redução de 36% em relação aos anos 2000, quando a taxa era de 306,4 óbitos por 100 mil.
A plataforma também permite visualizar diferenças entre os estados brasileiros. O estado de Alagoas registra a maior taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares, com 245,5 óbitos por 100 mil habitantes. Na sequência aparecem o Amapá, com 225,1 óbitos por 100 mil habitantes, e Mato Grosso do Sul, com 220,4.
O novo Hub de Doenças Cardiovasculares
Apresentado no dia de abertura do 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro em conjunto com o Congresso Mundial de Cardiologia, o Hub reúne dados epidemiológicos sobre as principais doenças cardiovasculares no Brasil em um ambiente único. A plataforma permite consultar números absolutos, taxas, séries históricas oficiais e estimativas comparáveis internacionalmente, além de visualizar indicadores por estado, sexo e faixa etária.
A iniciativa busca facilitar o acesso e a interpretação de informações sobre saúde cardiovascular para pesquisadores, jornalistas, comunicadores, criadores de conteúdo científico, profissionais de saúde, gestores públicos e demais interessados. Além de reunir diferentes bases de dados, a ferramenta oferece recursos de visualização, comparação e exportação que permitem explorar os indicadores e produzir conteúdos baseados em evidências.