BRB negocia R$ 6 bi com fundos árabes após não conseguir empréstimo com FGC

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Sem aprovação de empréstimo no FGC, o BRB busca capitalização nos Emirados Árabes Unidos para cobrir rombo com o Banco Master
Sem conseguir aprovar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) por falta de garantias da União, o BRB agora busca recursos com "fundos árabes". A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, candidata à reeleição, declarou em entrevista na quarta-feira que o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, viajará aos Emirados Árabes Unidos para "tratar pessoalmente" de uma proposta de empréstimo da ordem de R$ 6 bilhões. O BRB não informou a data da viagem nem maiores detalhes sobre os fundos envolvidos na negociação.
O banco brasiliense busca uma capitalização total de R$ 8,8 bilhões para cobrir parte do rombo gerado pelas transações com o Banco Master. Segundo apurações, o BRB transferiu mais de R$ 16 bilhões ao Master por meio da compra de carteiras fraudulentas ou que já haviam sido cedidas a outras instituições. O presidente do BRB à época dessas operações, Paulo Henrique Costa, está preso.
A busca por "fundos árabes" não é novidade nesse contexto. Quando o Banco Central não autorizou a compra do Banco Master pelo BRB, o próprio Master tentou convencer a autoridade monetária de que se salvaria com um aporte bilionário proveniente de fundos árabes. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 ao tentar embarcar para Dubai — movimento interpretado pela Polícia Federal como tentativa de fuga. No dia seguinte, o banco seria liquidado. Uma das bandeiras da campanha de Celina Leão é a crítica ao governo Lula por não permitir que a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil ofereçam garantias para o empréstimo junto ao FGC. A operação negociada com o FGC previa que um sindicato formado pelos grandes bancos — Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, XP e BTG — atuaria como fiador.
Caso o BRB não honrasse os pagamentos, o GDF daria, como contra-garantia, recursos dos fundos de participação de Estados (FPE) e de Municípios (FPM). Até o momento, o único recurso que o BRB conseguiu levantar foi R$ 1 bilhão por meio de uma operação de securitização da dívida ativa do GDF, estruturada em conjunto com o BTG. Nesse tipo de operação, o GDF antecipa com investidores o valor que tem a receber de impostos, com desconto. Havia expectativa de levantar mais R$ 1,5 bilhão em uma segunda etapa dessa operação, mas ela ainda não foi concluída. O banco também tem obtido liquidez por meio de depósitos judiciais e do próprio GDF. O BRB não divulga balanço desde o segundo trimestre de 2025, infringindo regras do Banco Central e da CVM. A ausência dessa divulgação deixa em situação indefinida alguns investimentos que possuem cláusulas de default no caso de o índice de Basileia — que mede o risco de uma instituição financeira — ficar abaixo de 4,5. Acredita-se que o índice esteja atualmente próximo de zero. No mercado, há cerca de R$ 3,4 bilhões em letras subordinadas que poderiam se enquadrar nessa situação.