Bradesco perde fôlego, mas registra lucro de R$ 7,1 bi no 3º trimestre

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Analistas do BTG Pactual e do Itaú BBA apontam alta da inadimplência e receitas fracas como riscos para o Bradesco em 2027
A recuperação do Bradesco após sua reestruturação começa a dar sinais de desaceleração, segundo analistas do BTG Pactual e do Itaú BBA. Embora o banco tenha registrado lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre, em linha com as expectativas, a alta da inadimplência e o crescimento mais fraco das receitas levantaram dúvidas sobre a continuidade da melhora dos resultados em 2027. Às 10h36 desta sexta-feira (23), as ações preferenciais do banco (BBDC4) caíam 1,98% na B3, a R$ 19,82. O Bradesco vem tentando recuperar sua rentabilidade por meio de mudanças na concessão de crédito, redução de despesas e reorganização das operações. O balanço mostrou avanços no controle de custos, mas também sinais de que a desaceleração da economia está dificultando o processo de recuperação. O resultado recorrente cresceu aproximadamente 1% em relação ao segundo trimestre, atingindo R$ 7,1 bilhões.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), indicador que mede quanto o banco ganha em relação ao capital dos acionistas, ficou em 15,6%. Apesar de o lucro ter ficado em linha com as projeções, o avanço foi considerado pequeno pelos analistas. Em relatório assinado por Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, o BTG Pactual destacou preocupações com a trajetória das receitas e da qualidade dos empréstimos. "Algumas tendências, particularmente nas receitas e na qualidade dos ativos, sugerem que o crescimento dos lucros pode estar perdendo força", afirmou o BTG Pactual em relatório. A inadimplência voltou a subir no período. A parcela dos empréstimos com pagamentos atrasados há mais de 90 dias passou de 4,3% para 4,6% da carteira. Entre pessoas físicas, o índice chegou a 5,8%, enquanto nas pequenas e médias empresas alcançou 4,9%. Segundo o BTG, a administração do Bradesco atribuiu quase metade do aumento da inadimplência a operações com pequenas e médias empresas garantidas pelos fundos FGI e FGO.
Nesses contratos, é necessário que o empréstimo entre em atraso antes que o banco possa acionar a garantia, o que contribui para elevar temporariamente o indicador. As provisões, valores separados contabilmente para cobrir perdas esperadas com empréstimos, chegaram a R$ 10,6 bilhões, alta de 6,6% sobre o trimestre anterior, segundo o Itaú BBA. O aumento dessas despesas reduz o resultado que sobra das operações de crédito. A carteira de empréstimos avançou apenas 1,1% no trimestre e, depois de descontadas as provisões, o resultado das operações de crédito caiu 3,5% em relação ao segundo trimestre. O Bradesco vem priorizando empréstimos com garantias, o que pode reduzir o risco de perdas futuras. Por outro lado, essas operações costumam oferecer retornos menores do que linhas de crédito mais arriscadas, limitando o crescimento das receitas. O controle de despesas e a carga tributária mais baixa ajudaram a compensar parte da pressão, segundo relatório de Pedro Leduc, William Barranjard e Kelvin Dechen, do Itaú BBA. "O Bradesco continua seu processo de transformação, mas a piora do cenário econômico está claramente começando a cobrar seu preço", destacou o Itaú BBA em relatório.
O resultado operacional do segmento de seguros ficou 17% abaixo da estimativa do Itaú BBA, embora despesas menores tenham ajudado a limitar o impacto sobre o lucro da área. Apesar dos avanços no controle de custos e no fortalecimento do capital, BTG e Itaú consideram que a piora da inadimplência e a desaceleração das receitas podem levar a revisões para baixo nas estimativas de lucro para 2027. O BTG também aponta a eleição presidencial como fator relevante para o comportamento das ações. As recomendações dos analistas divergem sobre o potencial de valorização do papel. O BTG mantém indicação neutra para BBDC4, com preço-alvo de R$ 21, equivalente a um potencial de alta de aproximadamente 6% sobre a cotação consultada. Já o Itaú BBA mantém recomendação "outperform", com expectativa de desempenho acima do mercado e alvo de R$ 22 para o fim de 2027, o que representa valorização potencial de cerca de 11%.