Brasil tem 83,9 milhões negativados

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Com 83,9 milhões de negativados no Brasil, especialista orienta como participar da Black Friday de forma segura e consciente
Dados do Serasa indicam que agosto se tornou o mês com o maior número de inadimplentes em toda a série histórica, com 83,9 milhões de negativados, após 20 meses consecutivos de alta. O registro acende um alerta sobre a saúde financeira dos brasileiros, especialmente para aqueles que planejam aproveitar as promoções da Black Friday sem cair em armadilhas. Diante do alto índice de endividamento, muitas pessoas ficam em dúvida sobre se devem participar das ofertas de fim de ano ou se precisam primeiro quitar todas as suas dívidas. A estrategista financeira Cecília Assis explica que, por mais difícil que seja o momento, é complexo afirmar que os endividados devem ficar completamente de fora da Black Friday, mas ressalta a importância de identificar a origem do problema. "É importante que a gente encontre a raiz desse problema: se está necessariamente no tipo de consumo que as famílias fazem, se as coisas estão mais caras ou se os salários ainda estão inferiores à necessidade de consumo".
A partir desse diagnóstico, Cecília reforça que o planejamento antecipado é essencial para definir quanto e como será possível destinar às compras. A especialista também chama atenção para um aspecto menos explorado da Black Friday: a possibilidade de utilizá-la para quitar dívidas. Segundo ela, algumas empresas lançam condições especiais justamente nesse período para facilitar a regularização de débitos. "A Black Friday não é um momento só de consumo de bens materiais. Pode ser um período de aproveitamento para negociação de dívidas e oportunidade de investimentos, porque a Black sai do lugar de liquidação e desconto em lojas de varejo para um momento de impulsionamento e facilitação do consumo como um todo. Existem situações em que comprar pode fazer sentido mesmo com dívidas, porque a quitação de um débito também é um movimento de compra, dado que ele é feito com dinheiro", afirmou Cecília.
Com a economia mais aquecida nessa época do ano, a atenção aos golpes também precisa ser redobrada. "Nessa época, os golpes são muitos, sejam aqueles que podem surgir dos cartões de crédito, sites clonados, mudança do preço no carrinho, central de falso atendimento ou mensagens fraudulentas em aplicativos de mensagens", destaca Cecília. Como grande parte das oportunidades da Black Friday acontece no ambiente digital, a estrategista recomenda cuidado especial com os dados de cartões de crédito. "A principal ferramenta que temos hoje é o cartão virtual. Você pode criar um cartão por compra ou até mesmo um cartão apenas para consumo online. Quando a compra é feita com o cartão físico, caso ocorra algum tipo de golpe, é mais difícil de ser resolvido. Já com o cartão virtual, o cancelamento pode ocorrer de forma mais imediata", sinaliza. A combinação entre planejamento financeiro, atenção aos golpes e uso de ferramentas de segurança, como o cartão virtual, são os principais pontos destacados por Cecília Assis para quem deseja aproveitar a Black Friday de forma consciente, mesmo diante de um cenário de endividamento elevado no país.