MS: PF investiga áudios de servidor que sugeriu envenenamento de água em aldeia

Foto: Facebook/Reprodução
Áudios atribuídos a servidor de Tacuru sugerem envenenamento da água da Aldeia Sassoró; PF e MPF investigam o caso
Lideranças indígenas denunciaram ameaças de envenenamento da água consumida por integrantes da Aldeia Sassoró, em Tacuru, no Mato Grosso do Sul. O caso veio à tona após a circulação de áudios atribuídos a um servidor da Prefeitura de Tacuru, nos quais ele sugeria contaminar a água da comunidade Guarani Kaiowá após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As gravações foram compartilhadas por meio do WhatsApp e rapidamente mobilizaram órgãos públicos, parlamentares e representantes dos povos indígenas.
Após a repercussão, o servidor foi afastado preventivamente de suas funções e passou a responder a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), conforme confirmado pelo prefeito do município, Rogério Torquetti. Até o momento, não há confirmação de que a água da comunidade tenha sido contaminada. A investigação segue em andamento para esclarecer as circunstâncias das ameaças e apurar possíveis responsabilidades criminais.
- **O afastamento do servidor:** O funcionário da Prefeitura de Tacuru foi afastado após a divulgação de áudios nos quais sugeria envenenar a água consumida pelos indígenas da Aldeia Sassoró. Em uma das gravações, ele afirma que deveria "matar essas pragas na água". O conteúdo veio a público logo após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), e gerou pedidos imediatos de investigação e proteção à comunidade.
- **Quem é o investigado:** A identidade do servidor não foi divulgada oficialmente. O prefeito Rogério Torquetti confirmou que o funcionário atuava no setor de infraestrutura do município, dirigindo um caminhão-caçamba, e que não era responsável pela distribuição de água na região.
- **Situação da água na Aldeia Sassoró:** O Ministério dos Povos Indígenas e as autoridades locais informaram que não há comprovação de envenenamento da água consumida pela comunidade. A Polícia Federal foi acionada para investigar se houve alguma ação concreta além das ameaças registradas nos áudios. - **Órgãos envolvidos na investigação:** A Polícia Federal foi acionada pelo Ministério dos Povos Indígenas para apurar possíveis crimes. O Ministério Público Federal (MPF) também instaurou procedimento de apuração e concedeu prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru prestasse esclarecimentos, incluindo as medidas adotadas para proteger a comunidade. As deputadas federais Sônia Guajajara e Célia Xakriabá protocolaram pedidos urgentes de providências junto a órgãos federais, cobrando investigação e proteção aos povos indígenas.
- **Reação das lideranças indígenas:** O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador em Tacuru, repudiou as declarações atribuídas ao servidor e afirmou que buscará a responsabilização civil e criminal dos envolvidos. Montiel destacou que a comunidade não aceitará manifestações de preconceito e defendeu o direito dos indígenas de exercer livremente o voto.
- **Medidas da Prefeitura de Tacuru:** Além do afastamento preventivo do servidor e da instauração do PAD, o prefeito Rogério Torquetti publicou um vídeo pedindo desculpas pelas declarações registradas nos áudios e se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. O MPF solicitou à prefeitura esclarecimentos sobre a autoria e a autenticidade das gravações, as circunstâncias em que os áudios foram divulgados e as providências adotadas para garantir a segurança das comunidades indígenas e a continuidade dos serviços essenciais. O órgão também recomendou o afastamento do servidor suspeito e a instauração do PAD, medidas que, segundo o prefeito, já foram adotadas.
Em relação a outros episódios de violência política contra indígenas no Mato Grosso do Sul, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) relatou denúncias em outros municípios. No entanto, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) negou a existência de um cenário de genocídio contra os povos indígenas no estado. Em Naviraí, um caso inicialmente associado a supostos ataques motivados por conflitos políticos foi esclarecido pelas autoridades como uma tentativa de duplo homicídio decorrente de um desentendimento familiar, sem motivação política ou étnica. Lideranças das comunidades indígenas Kurupi e Mboreviry também negaram que integrantes dos grupos tenham sido vítimas de ataques na região. As autoridades informaram ainda que fotografias do crime circularam na internet de forma adulterada e fora de contexto, sendo associadas falsamente a um suposto ataque contra indígenas. O caso da Aldeia Sassoró segue sob apuração das autoridades competentes, com a Polícia Federal e o MPF conduzindo as investigações para determinar as responsabilidades pelas ameaças registradas nos áudios e verificar se houve qualquer ação concreta contra a comunidade indígena.