Zema resiste à pressão crescente e mantém candidatura

Foto: Elizabete Guimarães/ALMG
Ex-governador de Minas rejeita pedidos para apoiar Flávio Bolsonaro e reafirma que seguirá na corrida presidencial
Belo Horizonte — Pressionado por aliados a abandonar a corrida presidencial e transferir seu apoio a Flávio Bolsonaro (PL), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) reafirmou nesta quarta-feira (30/9) que manterá sua candidatura até o fim. A declaração veio por meio de uma publicação nas redes sociais, na qual Zema evocou sua trajetória política para justificar a permanência na disputa. "Sigo firme até o fim. Em busca do que muitos dizem ser impossível", escreveu o candidato. Para reforçar seu argumento, ele relembrou a virada histórica que protagonizou na eleição ao governo de Minas Gerais em 2018, quando saiu de números inexpressivos para conquistar o cargo. "Do mesmo jeito que, em Minas, na última semana saímos de 5% para 45%, eu estou aqui, dando a cara a tapa, sem depender disso para sobreviver", afirmou. Nas pesquisas nacionais, Zema aparece distante dos líderes.
No levantamento AtlasIntel divulgado na terça-feira (29/9), o ex-governador mineiro registrava apenas 0,9% das intenções de voto, enquanto Lula (PT) liderava com 45,3% e Flávio Bolsonaro aparecia logo atrás, com 42,2%. A proximidade entre os dois primeiros colocados intensificou a pressão sobre as candidaturas menores da direita para que retirassem suas postulações e concentrassem votos em Flávio Bolsonaro, com o objetivo de derrotá-lo ainda no primeiro turno. Nos últimos dias, aliados do candidato do PL passaram a negociar diretamente uma eventual retirada de Zema da disputa. Integrantes do próprio partido Novo também defenderam a união da direita em torno de Flávio. O candidato ao Senado por Minas Gerais Marco Antônio Superman, filiado ao mesmo partido de Zema, declarou apoio ao presidenciável do PL e pediu publicamente que o ex-governador fizesse o mesmo.
Em Minas, o governador Mateus Simões (PSD), principal aliado político de Zema, também manifestou preferência por uma vitória de Flávio Bolsonaro. Na publicação, Zema retomou o discurso de outsider que marcou sua campanha vitoriosa em 2018. O ex-governador destacou que nunca contou com padrinhos políticos, apoio da classe política ou necessidade de ocupar cargos públicos para se sustentar. "Cheguei onde cheguei sem apoio nenhum. Graças a Deus e muitas noites sem dormir, conseguimos tirar o Titanic do fundo do mar em Minas", declarou. A postura de Zema reforça sua estratégia de resistir ao chamado voto útil em Flávio Bolsonaro e tentar reproduzir nacionalmente o crescimento expressivo que registrou na reta final da eleição mineira de 2018. Na terça-feira (29/9), ele já havia rejeitado a possibilidade de desistência ao afirmar que "fica muito feio para um time sair de campo antes do jogo acabar".