Vorcaro deve poupar Moraes em nova delação

Em sua terceira tentativa de acordo, Vorcaro pretende preservar Moraes, apesar de mensagens que sugerem pedidos de intervenção ao ministro do STF
O banqueiro Daniel Vorcaro sinalizou nesta semana que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes será preservado em sua nova proposta de colaboração premiada, a ser apresentada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Esta é a terceira tentativa de delação do ex-dono do Banco Master. Apesar de mensagens indicarem supostos pedidos de intervenção ao magistrado, Vorcaro pretende manter a narrativa de que tinha uma relação de amizade com Moraes e vínculos comerciais com a esposa dele. A nova proposta de acordo com as autoridades seguirá o mesmo tom das tentativas anteriores, sustentando que Vorcaro mantinha uma relação de amizade com Moraes e um vínculo comercial com a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
O contrato entre eles envolvia o valor de R$ 129 milhões. O relacionamento entre os dois já havia sido amplamente noticiado, com mensagens divulgadas de Vorcaro mencionando encontros com o ministro. As mensagens expostas no relatório da PF, no entanto, apontam para um cenário diferente. Elas sugerem que Vorcaro consultava Moraes sobre questões envolvendo o Banco Master e teria solicitado que o ministro acionasse o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para auxiliá-lo em assuntos relacionados ao banco.
Fontes ouvidas pela CNN, com acesso ao caso, revelaram que Vorcaro avalia que o levantamento do sigilo do relatório da Polícia Federal, que expôs sua relação com Moraes, foi extremamente prejudicial à sua estratégia de delação premiada. O objetivo do banqueiro era aguardar seu julgamento em prisão domiciliar, o que agora parece mais difícil de ser alcançado. Pessoas próximas a Vorcaro afirmam que o ex-dono do Banco Master sente que será esquecido na prisão e, por isso, chegou a cogitar que talvez não precise mais de advogados para defendê-lo. No entorno do banqueiro, o clima é de apreensão pela possível reação que seu depoimento a um juiz auxiliar de Mendonça poderá gerar, uma vez que o depoimento menciona o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, como alguém de seu relacionamento. O cenário atual coloca Vorcaro em uma posição delicada, com sua estratégia de delação comprometida pela exposição das mensagens e com perspectivas cada vez mais incertas em relação ao seu julgamento.