Vorcaro contratou ex-cunhado de Gilmar em 2024

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ex-banqueiro do Banco Master pagou R$ 500 mil mensais a Francisco Feitosa durante período de decisões de Gilmar Mendes no STF
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, contratou em 2024 o empresário Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho, ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A contratação ocorreu justamente no período em que Gilmar Mendes atuava em processos envolvendo instituições privadas de ensino, o que colocou o caso sob investigação da Polícia Federal. Segundo as investigações, Feitosa passou a tratar de interesses de Vorcaro ligados ao setor de educação e a universidades privadas. O empresário assinou contrato com a Super Empreendimentos, empresa que aparece nas apurações da PF como um dos canais de pagamentos relacionados a Vorcaro.
Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro registram conversas entre os dois sobre temas do setor educacional. O período da contratação coincide com a atuação de Gilmar Mendes em processos que envolviam instituições privadas de ensino, incluindo questões sobre a abertura e o funcionamento de cursos de medicina. O ministro nega ter conversado com Vorcaro ou com Feitosa sobre o assunto. As mensagens integram o material apreendido pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e foram encaminhadas na íntegra aos ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, após pedidos feitos pelos próprios magistrados à PF. Outra vertente da investigação aponta que Feitosa mantinha, à época, um contrato de R$ 500 mil mensais com Vorcaro.
Além disso, o ex-cunhado de Gilmar teria ajudado o banqueiro a agendar uma reunião com o ministro no STF, em abril de 2024, orientando Vorcaro sobre a importância de estabelecer uma relação direta com Gilmar Mendes. O encontro ocorreu em 11 de abril de 2024 e teve como pauta uma disputa judicial envolvendo empresas do setor sucroalcooleiro e créditos mantidos pelo Banco Master. No caso, Gilmar Mendes acabou votando contra a tese defendida por Vorcaro. O processo tratava de indenizações a empresas do setor sucroalcooleiro e poderia alcançar valores bilionários.
Após a divulgação das informações, Gilmar Mendes afirmou não ter conhecimento das tratativas entre Vorcaro e seu ex-cunhado. O ministro também negou ter conversado com Feitosa sobre assuntos relacionados ao setor de educação. A revelação ocorre em meio à divulgação de novos elementos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, que se tornou uma das principais fontes de informações investigadas pela PF no caso envolvendo o antigo Banco Master e as relações do ex-banqueiro com autoridades e empresários.