Venezuela sai da lista negra antidrogas dos EUA

Trump anuncia novas tarifas comerciais e prevê taxa de 10% a produtos brasileiros
Após 20 anos, os EUA retiram a Venezuela da lista de países que falharam no combate ao narcotráfico, enquanto Colômbia e Bolívia recebem incentivos
Os Estados Unidos retiraram, nesta quarta-feira (16), a Venezuela da lista de países que "falharam de forma demonstrável" no combate ao narcotráfico. A decisão encerra um período de 20 anos em que o país sul-americano figurava nessa classificação e representa um novo gesto do governo de Donald Trump ao governo da presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez. Ao mesmo tempo, Washington manteve Colômbia e Bolívia na lista negativa, mas emitiu sinais de incentivo aos novos governos conservadores de ambos os países. O relatório anual da Casa Branca também fez críticas diretas ao Brasil, acusando o governo brasileiro de não enfrentar organizações criminosas designadas como terroristas pelos Estados Unidos.
Segundo o documento oficial, a Venezuela "empreendeu uma mudança drástica de rumo após a detenção e remoção (...) do antigo ditador ilegítimo e narcotraficante Nicolás Maduro". É a primeira vez desde 2005 que o país deixa de figurar entre os que falharam nos compromissos internacionais de combate ao narcotráfico. "Já estamos vendo os resultados de uma cooperação crescente com o governo interino do país contra os cartéis", declarou Trump no documento.
Todos os anos, a Casa Branca divulga uma avaliação global da luta contra as drogas. Em 2025, 23 países são classificados como "grandes produtores" ou "países de trânsito de drogas". Desse total, quatro são destacados por terem "falhado de forma demonstrável" em seus compromissos internacionais: Afeganistão, Mianmar, Bolívia e Colômbia. Sobre o Brasil, o governo americano ressalta que "embora muitos governos do hemisfério ocidental estejam adotando ações corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar os cartéis, o governo do Brasil falhou em confrontar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, designados organizações terroristas, que transformaram o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína".
O texto acrescenta que "estas organizações terroristas brasileiras são uma ameaça crescente à paz e à segurança ao redor do mundo, e o governo brasileiro deve adotar medidas urgentes para confrontar e derrotá-las antes que cresçam e se expandam".
Apesar de manter a Colômbia na lista negativa, o relatório reconhece que o país "ainda não teve tempo de retomar o caminho anterior ao governo de esquerda de Gustavo Petro". Trump afirma que, "se, como esperado, avançar na erradicação agressiva da coca e no desmantelamento de suas redes narcoterroristas durante o próximo ano, considerarei retirar a condição de país que falhou de forma demonstrável". O documento elogia ainda a eleição do novo presidente de direita, Abelardo de la Espriella, afirmando que "a Colômbia está em condições de retomar seu lugar como nosso principal parceiro de segurança no hemisfério".
A nova embaixadora colombiana em Washington, María Consuelo Araújo, que apresentou suas credenciais a Trump na terça-feira, saudou o relatório. Embora o país tenha permanecido na lista, o documento "estabelece uma clara distinção entre a deterioração dos últimos anos e a nova etapa que se abre", explicou em comunicado. Em relação à Bolívia, o texto reconhece que "a cooperação entre Bolívia e Estados Unidos se ampliou significativamente durante o último ano", em referência ao governo do presidente Rodrigo Paz. No entanto, pondera que "o novo governo ainda não teve tempo suficiente para reduzir o cultivo de coca, que aumentou sob o governo anterior" de esquerda.
Ao retornar à Casa Branca, Trump equiparou legalmente o combate aos cartéis ao enfrentamento do terrorismo, decisão questionada por organismos internacionais. O governo americano também iniciou, há cerca de um ano, uma campanha de ataques contra embarcações suspeitas de narcotráfico no Caribe e no Pacífico, sem precedentes na história da região, que resultou em pelo menos 215 mortos. A campanha foi denunciada como uma série de execuções extrajudiciais por organismos da ONU e organizações não governamentais.
Além disso, Trump consolidou o Escudo das Américas, uma aliança contra os cartéis à qual vários países aderiram conforme mudavam de orientação política. O Peru foi o último a ingressar na iniciativa, que prevê cooperação ampliada e até campanhas militares conjuntas, como as realizadas por Colômbia e Equador. O relatório destaca que "as drásticas mudanças políticas na América do Sul durante o último ano criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos com os governos da região". O governo Trump também elogiou a colaboração do governo de Claudia Sheinbaum, mas advertiu que "o México deve adotar medidas adicionais contra as organizações narcoterroristas que dominam amplas áreas de seu território e continuam representando uma ameaça para o povo americano". Apesar das críticas a Bolívia, Mianmar e Colômbia, Washington reforçou que a prestação de assistência a esses países continua sendo "vital para os interesses nacionais dos Estados Unidos".