Trump ameaça usar força militar na ONU

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Alex Brandon / Pool
Trump prometeu eliminar a interferência estrangeira no Hemisfério Ocidental e criticou o TPI e agências da ONU durante discurso na Assembleia Geral
Durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu eliminar o que classificou como "interferência estrangeira" no Hemisfério Ocidental, sinalizando que pode recorrer ao poderio militar norte-americano para alcançar esse objetivo. Trump foi o segundo líder a discursar na sessão, por representar o país-sede da Assembleia Geral. Seguindo a tradição, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, abriu o Debate Geral.
Também usaram a tribuna o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e o ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, Khalilur Rahman, eleito presidente dos trabalhos da 81ª Assembleia Geral da ONU. O presidente norte-americano declarou querer "acabar com décadas de violência, instabilidade e interferência estrangeira" na região, com foco em expulsar a presença da China e da Rússia do Hemisfério Ocidental. Para ilustrar sua postura, Trump citou a operação que resultou na prisão do presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro. "Nossas ações na Venezuela são uma prova de que não permitiremos mais que ameaças contra os Estados Unidos criem uma base de apoio em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para proteger nossos interesses nacionais vitais", afirmou.
O republicano também traçou uma comparação entre os cartéis de drogas e o grupo terrorista Estado Islâmico, afirmando que esses grupos não continuarão a ameaçar os países do Ocidente. "Lançamos o poder das Forças Armadas dos Estados Unidos para eliminar gangues e cartéis de drogas sangrentos. Os cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental. São inimigos em guerra contra a civilização, usando assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror, e por isso eles devem ser mortos, exilados ou detidos", declarou Trump. Ao longo do discurso, Trump também direcionou críticas à ONU e a algumas de suas agências. O presidente chamou o Tribunal Penal Internacional (TPI), corte permanente sediada em Haia, nos Países Baixos, de "fora de controle" e "maléfico", pedindo que todos os países-membros abandonem a instituição.
Além disso, acusou "os principais funcionários de Direitos Humanos da ONU" de criticar os EUA em defesa de políticas voltadas a "mutilar crianças para as tornar transgêneros" e de atacar as medidas de imigração do governo Trump. O presidente norte-americano também defendeu a guerra no Oriente Médio e reiterou que o Irã "nunca terá uma arma nuclear", chegando a ameaçar destruir o país persa "para o inferno" caso não haja acordo de paz entre Washington e Teerã após as Eleições de Meio de Mandato, conhecidas como midterms. A 81ª Assembleia Geral da ONU ocorre entre os dias 22 e 28 de setembro de 2026, em Nova York. Lideranças dos 193 Estados-membros apresentarão suas posições e prioridades diante dos desafios globais. O tema do debate deste ano é: "Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas". Os discursos e principais eventos serão transmitidos ao vivo pela TV on-line da ONU, com cobertura em português pela ONU News.