Síria anuncia diesel subsidiado após protestos

Foto: Divulgação
Governo sírio adota sistema escalonado de preços após reajustes de até 40% no combustível gerarem bloqueios e manifestações no país
O governo da Síria anunciou que fornecerá diesel subsidiado para aquecimento e agricultura após aumentos expressivos de preços provocarem protestos generalizados no país. A medida foi divulgada nesta quinta-feira pelo ministro da Energia, que confirmou a adoção de um sistema escalonado de preços para o combustível. Segundo o modelo anunciado, o diesel subsidiado será comercializado a 115 libras sírias — equivalente a US$ 0,94 por litro. A decisão vem como resposta direta à insatisfação popular gerada pelos reajustes anunciados no domingo, quando o governo elevou em 30% a 40% os preços da gasolina e do diesel.
As autoridades justificaram os aumentos citando a guerra entre Estados Unidos e Irã e a necessidade de reparos em uma grande refinaria de petróleo. Os protestos tomaram proporções significativas, especialmente no nordeste sírio, onde centenas de caminhões-tanque ficaram retidos após manifestantes bloquearem uma rodovia em sinal de indignação com os novos preços.
Em paralelo à crise econômica, um tribunal sírio determinou nesta quinta-feira penas relacionadas a um episódio de violência na região costeira do país. A decisão ocorre após investigação sobre confrontos que deixaram mais de 1.000 mortos em março de 2025. Os ataques foram atribuídos a aliados do ex-presidente deposto Bashar Assad, que investiram contra tropas e forças de segurança do governo em áreas habitadas por integrantes da minoria religiosa alauíta.
A resposta governamental, no contexto de uma operação de contra-insurgência, acabou escalando para episódios de violência de caráter sectário. O tribunal militar criminal condenou um soldado do Exército a 20 anos de prisão. Outros dois aliados de Assad também foram sentenciados: um recebeu pena de morte e outro foi condenado à prisão perpétua. A violência registrada no início do ano abalou a confiança das minorias na Síria e aprofundou o ceticismo de parte da população em relação à nova liderança do país, de orientação islâmica.