Greve de professores suspende aulas em escolas de BH

Foto: PBH/Reprodução
Professores da rede particular de BH aprovam greve por tempo indeterminado após impasse com o Sinepe-MG sobre a Convenção Coletiva
Diversas escolas particulares de Belo Horizonte suspenderam as aulas após professores da rede privada da capital e da Região Metropolitana aprovarem uma greve por tempo indeterminado. A paralisação foi decidida em assembleia realizada na quarta-feira (16/9), depois que a categoria rejeitou a proposta de divisão da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) entre educação básica e ensino superior.
O Colégio Marista Padre Eustáquio, o Colégio São Paulo e o Colégio Batista Mineiro já confirmaram alterações no funcionamento. Uma fonte do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas) também informou que professores de outras instituições aderiram ao movimento.
Entre os colégios afetados estão as quatro unidades do Colégio Santo Agostinho, o Marista Dom Silvério, o Colégio Buritis Agostiniano, o Colégio Magnum Cidade Nova, o Colégio Sagrado Coração de Jesus, o Colégio Santo Tomás de Aquino, o Bernoulli e a Casa Viva.
A greve é organizada pelo Sinpro Minas em meio ao impasse nas negociações com o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG).
Marista Padre Eustáquio suspende aulas durante a paralisação
Em comunicado enviado às famílias na quarta-feira, o Colégio Marista Padre Eustáquio informou que as aulas ficarão suspensas enquanto não houver profissionais suficientes para acompanhar os estudantes com segurança. "Não seria adequado receber crianças e adolescentes sem a presença dos profissionais necessários para acompanhá-los em suas atividades letivas", afirmou a direção.
Apesar da suspensão, algumas atividades serão mantidas:
Tempo Integral: funcionamento no turno da manhã, das 7h às 12h45;
Núcleo de Atividades Complementares (NAC): atividades realizadas normalmente, conforme os horários contratados;
Aulas de campo do NAP 1 e do NAP 2: mantidas conforme os comunicados enviados às famílias;
Aplicação da Olimpíada Nacional de Ciências (ONC): será realizada remotamente na sexta-feira (18/9), para estudantes inscritos do 5º ano;
Provas de recuperação: mantidas para os diferentes segmentos, conforme os comunicados da escola;
Simulado do Enem: mantido para terça-feira (22/9), com participação de todas as turmas do Ensino Médio.
A direção também informou que, desde abril, antecipou o reajuste salarial dos professores em percentual superior ao INPC e manteve os direitos previstos na convenção coletiva de 2025.
O colégio declarou ainda que considera a greve um direito dos trabalhadores, mas avaliou que não houve cumprimento da antecedência mínima de 48 horas prevista na legislação. Os dias letivos não realizados deverão ser repostos conforme calendário a ser divulgado posteriormente.
Colégio São Paulo suspende aulas até sexta-feira
O Colégio São Paulo informou que não haverá aulas na quinta-feira (17/9) e na sexta-feira (18/9) para estudantes do Ensino Fundamental, do 1º ao 9º ano, e do Ensino Médio. A decisão ocorreu em razão da adesão dos professores ao movimento de greve anunciado pelo Sinpro Minas.
As atividades da Educação Infantil e do Contraturno, no entanto, funcionarão normalmente dentro dos horários habituais. A equipe administrativa também permanecerá trabalhando para atender às famílias e manter os serviços internos.
A escola afirmou que acompanha as negociações entre o Sinpro Minas e o Sinepe-MG e que comunicará eventuais mudanças no calendário escolar pelos canais oficiais.
Assim como o Marista, o Colégio São Paulo declarou que antecipou, em abril, o reajuste salarial dos professores em percentual superior ao INPC atualmente discutido e manteve os direitos e as condições previstos na convenção coletiva vigente.
No Colégio Batista Mineiro, um professor confirmou que não haverá aulas na instituição em razão da paralisação. Até o momento, não foram divulgadas informações detalhadas sobre quais unidades serão afetadas, a duração da suspensão ou a manutenção de atividades específicas.
Entenda a greve
Os professores da rede particular de Belo Horizonte e Região Metropolitana aprovaram a greve por tempo indeterminado na quarta-feira (16/9). A categoria reivindica a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho sem alterações em relação ao acordo atual, além de reajuste salarial correspondente à inflação medida pelo INPC, de 3,77%.
O principal ponto de divergência é a proposta do Sinepe-MG de dividir a convenção em dois instrumentos: um para os profissionais da educação básica e outro para os trabalhadores do ensino superior, com validade a partir de 2027.
O Sinpro Minas afirma que a divisão pode enfraquecer a negociação coletiva e abrir espaço para mudanças em direitos como bolsas de estudos, isonomia salarial, férias coletivas e adicional extraclasse.
Já o Sinepe-MG sustenta que a separação não representa retirada de benefícios e que a medida permitiria considerar as características específicas de cada segmento de ensino.
As negociações tiveram início em março deste ano. Sem acordo, o Sinpro Minas ajuizou, em 15 de junho, um dissídio coletivo de natureza econômica no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3), processo que ainda está em andamento.
Novas manifestações dos professores estão previstas para quinta-feira (17/9) e sexta-feira (18/9), na Praça da Assembleia, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
O Sinpro Minas afirma que dezenas de escolas foram afetadas total ou parcialmente pela paralisação. O Sinepe-MG, por outro lado, declarou que a maioria das instituições manteve o funcionamento e informou que apenas seis das 811 escolas particulares da capital relataram dificuldades de atendimento às famílias.