Setembro Amarelo: Minas tem o 2º maior número de mortes por suicídio em 2025

Laço amarelo, símbolo da campanha Setembro Amarelo - Imagem ilustrativa/Canva
O Brasil registrou 16.533 mortes por suicídio em 2025, recorde histórico. Minas Gerais teve o 2º maior número absoluto do país, com 1.987 casos
Esta reportagem contém conteúdo sensível, com informações sobre saúde mental e suicídio. Se você precisa de ajuda, ligue para o número 188, do Centro de Valorização da Vida (CVV), e busque apoio psicológico. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito.
O Brasil registrou 16.533 mortes por suicídio em 2025, uma média de 45 casos por dia. O número representa um aumento de 25,6% em relação a 2020, quando foram contabilizados 13.163 óbitos, e é o maior da série histórica levantada pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
Para cada morte por suicídio, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. No Brasil, a tentativa de suicídio é de notificação compulsória e imediata pelos serviços de saúde, com comunicação às autoridades em até 24 horas.
Minas Gerais ocupa uma posição de destaque nesse cenário. Com 1.987 registros em 2025, o estado teve o segundo maior número absoluto de mortes do país, atrás apenas de São Paulo, que contabilizou 2.995 casos.
Quando o tamanho da população é considerado, a taxa mineira foi de 9,29 mortes a cada 100 mil habitantes, acima da média nacional de 7,75. Entre as 27 unidades da Federação, Minas Gerais ficou na oitava posição nesse indicador.
O Rio Grande do Sul apresentou a maior taxa proporcional do país, com 12,89 mortes por 100 mil habitantes, seguido pelo Piauí, com 12,56, e por Santa Catarina, com 11,82. Acre, Goiás, Roraima, Tocantins e Minas Gerais também registraram índices superiores a 9 mortes por 100 mil habitantes.
Na outra ponta, as menores taxas foram registradas no Amazonas (5,23), Maranhão (5,40), Rio de Janeiro (5,48), Bahia (5,51) e Alagoas (5,99).
A diferença entre números absolutos e taxas proporcionais é importante para a leitura dos dados. Estados mais populosos podem concentrar uma grande quantidade de mortes sem necessariamente apresentar os maiores índices quando o número de habitantes é considerado. Da mesma forma, localidades menores podem registrar menos casos em números absolutos e, ainda assim, apresentar taxas elevadas.
O cenário por regiões
Em números absolutos, o Sudeste concentrou a maior quantidade de mortes em 2025, com 6.284 registros. Na sequência aparecem Nordeste, com 4.027; Sul, com 3.142; Centro-Oeste, com 1.686; e Norte, com 1.394.
Quando a população é considerada, porém, a Região Sul apresentou a maior taxa regional, com 10,03 mortes por 100 mil habitantes. O Centro-Oeste ficou em 9,78; o Norte, em 7,41; o Nordeste, em 7,03; e o Sudeste, em 7,07.
Entre os estados com maior número absoluto de mortes, São Paulo liderou com 2.995 casos, seguido por Minas Gerais (1.987), Rio Grande do Sul (1.448), Santa Catarina (968) e Rio de Janeiro (943). Bahia, Ceará, Paraná, Pernambuco e Pará completaram as dez primeiras posições.
A trajetória recente dos dados nacionais mostra um crescimento acumulado. A taxa proporcional saiu de 6,29 mortes por 100 mil habitantes em 2020, passou para 6,97 em 2021, 7,58 em 2022 e atingiu 7,78 em 2023. Em 2024, houve uma discreta redução para 7,72, antes de o indicador voltar a 7,75 em 2025.
Entre 2020 e 2025, a taxa nacional cresceu 23,2%.
A tendência brasileira contrasta com a evolução mundial observada no longo prazo. Entre 2000 e 2021, a taxa global de suicídio caiu 35%. Em 2021, foram registradas aproximadamente 727 mil mortes por suicídio no mundo, com uma taxa global de 8,9 mortes por 100 mil habitantes.
Lesoto, Coreia do Sul e Essuatíni apresentaram os maiores índices naquele período, com 28,7, 27,5 e 27,2 mortes por 100 mil habitantes, respectivamente.
Naquele mesmo ano, o Brasil apresentou taxa padronizada de 6,9 mortes por 100 mil habitantes, abaixo da média mundial. O país ocupou a 96ª posição entre 185 países em uma classificação baseada em dados internacionais de mortalidade.
As estatísticas de mortalidade, no entanto, não representam todo o universo do comportamento suicida. Entre 2011 e 2022, foram registradas 720.480 notificações de autolesão no Brasil. A taxa de notificações passou de 7,6 para 70,1 por 100 mil habitantes no período.
Uma tentativa anterior de suicídio está entre os principais fatores associados ao risco de uma nova tentativa e de uma eventual morte. Por isso, a identificação de situações de sofrimento e o acesso ao atendimento são elementos importantes na prevenção.
Setembro Amarelo e a busca por ajuda
É nesse contexto que o Setembro Amarelo ganha espaço no calendário de saúde pública. A campanha amplia a discussão sobre saúde mental, prevenção do suicídio e a importância de buscar ajuda.
A prevenção também envolve a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), criada em 2011 para organizar o atendimento a pessoas em sofrimento ou com transtornos mentais. Em Minas Gerais, a rede contava com 402 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) habilitados no terceiro quadrimestre de 2025.
Mudanças importantes de comportamento e manifestações de sofrimento merecem atenção, principalmente quando vários sinais aparecem simultaneamente. Entre eles estão falas relacionadas à morte ou à falta de perspectiva, alterações significativas de comportamento, agravamento do sofrimento e situações de crise.
Não existe uma fórmula capaz de identificar com certeza quando uma pessoa está em uma situação de risco. Por isso, mudanças importantes não devem ser ignoradas. A escuta, o acolhimento e a busca por atendimento profissional podem ser fundamentais.
Em uma situação de risco, a pessoa deve ser incentivada a procurar atendimento de saúde. Diante de perigo imediato, é importante não deixá-la sozinha e acionar os serviços de emergência.
O atendimento pode ser procurado em uma Unidade Básica de Saúde, Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidade de Pronto Atendimento (UPA), pronto-socorro ou hospital.
Em situações de emergência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo telefone 192.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia, em todo o território nacional. O atendimento também está disponível por chat e e-mail.
A busca por ajuda não precisa ocorrer apenas em situações de emergência. Pessoas que estejam passando por sofrimento emocional podem conversar com alguém de confiança e procurar os serviços de saúde disponíveis.