Rubio pressiona México sobre narcotráfico

Foto: FMT
Secretário de Estado dos EUA afirma que "extensos territórios" mexicanos estão sob domínio do crime e reacende temor de intervenção militar
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira, em Quito, que "extensos territórios" do México estão fora do controle do Estado e sob domínio de organizações criminosas. Rubio declarou esperar que o combate ao narcotráfico seja conduzido em conjunto com o governo de Claudia Sheinbaum, mas advertiu que a ameaça "vai ter que ser enfrentada, de uma maneira ou de outra" — frase que reacende especulações sobre uma eventual ação militar americana no território mexicano. O tom adotado por Rubio contrasta com o discurso de cooperação que ele mesmo utilizou há um ano, quando visitou a Cidade do México.
Desde então, a relação bilateral deteriorou-se: um escândalo envolvendo agentes da CIA no estado de Chihuahua e a acusação por narcotráfico contra o ex-governador Rubén Rocha Moya contribuíram para o esfriamento entre os dois países. No mesmo dia, Irã e Estados Unidos protagonizaram a maior sequência de ataques a embarcações desde o início do conflito, há seis meses. Segundo o Irã, dez navios foram atingidos, incluindo dois americanos e oito petroleiros. Os EUA, por sua vez, afirmam ter afundado cinco navios-tanque iranianos em retaliação a mísseis disparados contra um navio de guerra americano. Um tripulante morreu e outro está desaparecido após um ataque a um petroleiro ancorado próximo a Dubai.
No campo energético, o petróleo Brent ultrapassou US$ 100 o barril pela primeira vez desde julho. O Irã também afirmou ter lançado mísseis contra uma base americana na Jordânia, cujo governo diz ter interceptado a maioria deles. Trump declarou a jornalistas acreditar que o conflito terminará logo após as eleições de meio de mandato em novembro, mas o "Wall Street Journal" relatou que assessores próximos, como o vice-presidente JD Vance e o próprio Rubio, temem que a guerra se estenda até o fim do mandato, em 2029. Uma análise de imagens de satélite realizada pelo instituto CSIS, obtida com exclusividade pela CNN, identificou aumento expressivo nas obras de construção em Pickaxe Mountain, instalação enterrada sob granito próxima ao complexo nuclear de Natanz.
Segundo os analistas, o local pode servir para montagem de centrífugas, enriquecimento de urânio ou como refúgio para outras atividades ligadas ao programa nuclear iraniano. Trump já ameaçou atacar o sítio, mas a montanha de granito representa um alvo difícil mesmo para as bombas mais pesadas do arsenal americano — o Pentágono trabalha no desenvolvimento de uma nova geração de bombas capazes de penetrar mais fundo. Trump discursou nesta quarta-feira na primeira convenção de meio de mandato já realizada por um partido americano, evento pensado para colocar o presidente no centro da campanha eleitoral de novembro, mesmo com sua aprovação em queda. Uma pesquisa AP-Norc de julho mostrou que cerca de dois terços dos americanos consideram a guerra com o Irã "não compensadora". Vários republicanos de distritos eleitorais disputados evitaram o evento.
Em um momento inesperado, o senador democrata John Fetterman apareceu em vídeo elogiando um esforço bipartidário em defesa da indústria do aço. A administração Trump apresentou ainda uma proposta que deixaria de contabilizar, no censo de 2030, imigrantes sem green card — inclusive os que estão em situação legal, mas sem residência permanente — e retiraria do questionário perguntas sobre raça, etnia e orientação sexual. A mudança pode reduzir a representação no Congresso e o repasse de verbas federais a regiões com maior concentração de imigrantes, tradicionalmente favoráveis aos democratas. A 14ª Emenda da Constituição determina a contagem de "todas as pessoas" em cada estado, independentemente do status migratório, o que deve gerar disputas judiciais. A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, já declarou estudar ações legais.
Trump havia tentado medida semelhante em seu primeiro mandato, barrada pela Suprema Corte. Na Argentina, o projeto de lei sobre as Malvinas anunciado por Javier Milei em rede nacional na semana passada ainda está sendo redigido, segundo fontes do governo argentino ouvidas pelo "La Nación". A proposta deve endurecer sanções a empresas que operam na região das ilhas e criar um Conselho de Segurança Nacional. A aceleração das medidas — que incluem sanções a 60 empresas e acionistas e a retomada de uma base naval na Terra do Fogo — segue declarações do presidente Donald Trump em apoio à Argentina na disputa com o Reino Unido pela soberania do arquipélago. Nas Filipinas, um incêndio no navio MV June Aster, próximo ao arquipélago turístico de Coron, na província de Palawan, matou ao menos cinco pessoas, com 87 desaparecidas. A embarcação transportava 134 pessoas entre passageiros e tripulação, das quais 42 foram resgatadas. A guarda costeira filipina afirma estar conduzindo uma operação de busca com apoio de comunidades de pescadores voluntários.