Rojas perde espaço e Cruzeiro amplia opções

Foto: Cruzeiro/Divulgação
Sem gols ou assistências em 13 jogos, Rojas divide a lateral-esquerda com Villalba e o recém-chegado Matías Viña no Cruzeiro
Contratado para preencher o espaço deixado por Kaiki Bruno, vendido ao Como 1907, Gabriel Rojas ainda não conseguiu transformar a expectativa em desempenho consistente no Cruzeiro. O lateral-esquerdo argentino chegou à Toca da Raposa com a missão de ocupar um setor que perdeu seu titular e também seu reserva, Kauã Prates, negociado com o Borussia Dortmund. Após os primeiros meses no clube, a posição segue sem um dono absoluto. Rojas já disputou 13 partidas pelo time mineiro, sendo 10 delas como titular, mas ainda não registrou gols ou assistências.
O número de participações é relevante, porém a falta de protagonismo ajuda a explicar por que o técnico Artur Jorge passou a alterná-lo com o zagueiro Lucas Villalba e levou o clube a buscar outra opção no mercado no último dia da janela de transferências. A situação chama atenção também pelo valor investido. Para tirar Rojas do Racing, a SAF desembolsou cerca de US$ 6 milhões, aproximadamente R$ 30 milhões em junho. Na Argentina, o lateral vinha de um momento de destaque e era considerado uma das principais peças da equipe. A diferença de produção entre os dois clubes é um dos pontos centrais da adaptação de Rojas ao futebol brasileiro. No Racing, o argentino era uma peça mais participativa no terço ofensivo e acumulava números relevantes na construção das jogadas.
No Cruzeiro, porém, ainda não conseguiu repetir essa influência. Além disso, suas dificuldades nos parâmetros defensivos têm gerado críticas da torcida, que via em Kaiki um lateral "completo": um exímio defensor e um ótimo apoiador dos atacantes.
A dificuldade de Rojas para se firmar abriu espaço para uma alternativa que, inicialmente, não estava entre as principais opções para o setor: Lucas Villalba. Zagueiro de origem, o argentino passou a ser utilizado como lateral-esquerdo e ganhou espaço por oferecer características distintas. De acordo com o próprio Artur Jorge, Rojas era uma alternativa mais voltada à força ofensiva, enquanto Villalba oferecia maior segurança defensiva.
Os números ajudam a dimensionar a disputa. Atuando especificamente como lateral-esquerdo, Villalba soma seis jogos pelo Cruzeiro em 2026, fora aqueles em que entrou com a bola rolando. Ao todo, o jogador de 32 anos marcou um gol e deu três assistências na temporada. A utilização de Villalba não representa necessariamente uma perda definitiva de espaço para Rojas, mas evidencia que Artur Jorge ainda busca a combinação mais adequada para o lado esquerdo. O cenário ficou ainda mais evidente em jogos importantes. Rojas foi titular contra o Flamengo, pelas oitavas de final da Copa Libertadores, enquanto Villalba iniciou o clássico contra o Atlético, pelas quartas de final da Copa do Brasil.
Se Rojas já precisava conquistar a confiança do treinador, a contratação de Matías Viña aumenta ainda mais a concorrência. O uruguaio chegou ao Cruzeiro por empréstimo até o fim de 2026, sem custos imediatos para o clube. Ele estava no River Plate, onde teve pouco espaço, mas pertence ao Flamengo. A chegada de Viña, que ainda não estreou com a camisa estrelada, é sobretudo um sinal de que o Cruzeiro não considerou resolvido o problema criado pelas saídas de Kaiki e Kauã. O clube perdeu suas duas opções naturais para a posição e, mesmo após a contratação de Rojas, voltou ao mercado em busca de outra alternativa. Isso coloca Rojas diante de uma nova etapa no Cruzeiro. Se inicialmente o argentino tinha a expectativa de assumir naturalmente a posição, agora ele terá de disputar a vaga em um cenário com três possibilidades diferentes.