Cirurgião plástico é suspenso por erros que resultaram em morte de paciente

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Cirurgião plástico Rodrigo Ribeiro Credidio é investigado por erros em procedimentos estéticos que resultaram na morte de uma paciente em BH
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu o exercício da medicina pelo cirurgião plástico Rodrigo Ribeiro Credidio, investigado por erros em procedimentos estéticos. A decisão atende a um pedido da Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), que aponta imprudência na combinação de múltiplos procedimentos cirúrgicos de alta complexidade realizados em uma única sessão operatória. Rodrigo Ribeiro Credidio foi o responsável pela cirurgia de Norma Eduarda da Fonseca, servidora pública de 59 anos que morreu 72 dias após uma abdominoplastia e outros procedimentos estéticos realizados em um hospital particular no bairro Belvedere, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Além da suspensão do exercício profissional, a decisão judicial determinou a substituição de Rodrigo Ribeiro Credidio do cargo de diretor técnico da Clínica Credidio Cirurgia Plástica e Nutrologia Ltda. A clínica deverá comunicar ao TJMG o nome e o CRM do novo responsável técnico no prazo de 15 dias, sob pena de expedição de ofício aos órgãos fiscalizadores. A Justiça também solicitou, no mesmo prazo de 15 dias, a apresentação dos termos de consentimento, prontuários médicos e registros clínicos de todas as pacientes atendidas e submetidas a procedimentos cirúrgicos realizados pelo médico entre 2019 e 2024.
O cirurgião é investigado por indícios de imprudência na combinação de múltiplos procedimentos de alta complexidade em uma única sessão operatória, além de insuficiência no processo de consentimento informado e deficiência na assistência pós-operatória. Agrava o caso o fato de que a clínica onde Rodrigo Ribeiro Credidio realizava os procedimentos operou sem alvará sanitário habilitado para cirurgias em dois períodos distintos: entre 2019 e 2020 e, novamente, entre 2021 e 2024. A reportagem procurou a defesa do médico, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.
Norma Eduarda da Fonseca passou por abdominoplastia e outros procedimentos estéticos no dia 5 de fevereiro, em um hospital particular no bairro Belvedere. No dia seguinte, recebeu alta para se recuperar em casa. Cinco dias após a cirurgia, ela relatou ao médico sintomas como diarreia, náusea, vômito, inchaço no abdome e sinais de necrose. Segundo as investigações, Rodrigo Ribeiro Credidio teria orientado Norma a não procurar um hospital, prescreveu medicamentos e indicou que ela continuasse o tratamento em casa. Com o agravamento das feridas, a família entrou em contato com o médico no dia 14 de fevereiro, que então orientou que ela fosse levada à clínica. No local, foi retirado um dreno de sucção a vácuo na região sacral, e constatou-se que a paciente apresentava sinais avançados de infecção.
Após isso, o médico indicou a internação hospitalar, onde foram identificadas lesões e infecção por bactérias altamente resistentes. Norma foi submetida a uma nova cirurgia para retirada da parte necrosada, mas seu estado de saúde foi se deteriorando progressivamente até que ela veio a óbito em 17 de abril. O filho da vítima relatou à polícia que, durante a internação, sua mãe foi coagida pelo médico, que teria feito "pressão psicológica" tentando responsabilizá-la pelo próprio quadro clínico. Familiares também afirmaram que o profissional dificultou o acesso a informações sobre o procedimento cirúrgico inicial, o que pode ter "dificultado o diagnóstico da equipe médica do hospital". O caso segue sob investigação, com a Justiça acompanhando o cumprimento das determinações impostas à clínica e ao médico.