Missionária e mãe são citadas em processo ligado ao CV

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Detentos ligados ao Comando Vermelho chamavam missionária de "mãe" e pediam que guardasse valores e itens, segundo o Gaeco
Cartas escritas à mão por detentos endereçadas à missionária Rhavenna Barcelos, em Mato Grosso, são apontadas pelo Ministério Público Estadual como evidência de uma relação de confiança entre ela e presos ligados ao Comando Vermelho. Segundo a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), três correspondências foram encontradas durante extrações de dados e revelam detentos identificados como Júlio, Júnior e Escobar chamando Orminda Carlos de Barcelos, mãe de Rhavenna, de "mãe", além de fazerem pedidos para que ela guardasse valores e levasse itens para dentro da penitenciária. As cartas foram citadas pelo MP ao descrever a atuação atribuída a Orminda e à filha Rhavenna Barcelos. De acordo com a denúncia, as duas utilizavam visitas religiosas a presídios para manter contato com diferentes detentos.
Um dos pontos centrais destacados na denúncia é a forma como os remetentes se dirigiam a Orminda. Nas três cartas mencionadas no documento, os presos identificados como Júlio, Júnior e Escobar a tratavam como "mãe". Para o Ministério Público, essa forma de tratamento seria um indicativo do grau de proximidade e confiança existente entre eles. As correspondências também conteriam solicitações para que Orminda guardasse dinheiro e recebesse objetos destinados aos detentos. Na avaliação dos investigadores, os pedidos seriam compatíveis com outras conversas encontradas nos aparelhos celulares e contas de armazenamento em nuvem analisados durante a investigação. A denúncia afirma que essa dinâmica permitia que objetos e valores circulassem entre pessoas dentro e fora do sistema penitenciário.
No documento, o Ministério Público afirma que as correspondências reforçam a suspeita de que Orminda não teria apenas uma relação religiosa com os presos, mas também exerceria uma função de apoio a integrantes da organização criminosa. Segundo o MP, os detentos entregariam valores e objetos a pessoas de fora da cadeia, que posteriormente fariam o repasse para Orminda ou sua filha. A denúncia sustenta que parte desse material teria origem ilícita, embora essa conclusão ainda dependa da análise da Justiça.
A denúncia apresentada à 7ª Vara Criminal de Cuiabá acusa Orminda, Rhavenna Barcelos e Renildo Silva Rios de integrar organização criminosa e de envolvimento com lavagem de dinheiro. Outros três integrantes da família — Rhuan Barcelos, Anatany Barcelos e Lo Rhuama Barcelos — foram denunciados por lavagem de dinheiro. No caso específico das cartas, o Ministério Público destaca principalmente a relação de Orminda com os presos e usa as correspondências como parte do conjunto de provas reunido durante a investigação. A denúncia ainda será analisada pela Justiça, e os acusados têm direito à defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.