Polymarket tem perfil derrubado pelo Ministério da Fazenda após ação da AGU

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministério da Fazenda removeu perfil da Polymarket no Instagram após ação da AGU contra apostas ilegais sobre eleições de 2026
O Ministério da Fazenda solicitou a remoção do perfil brasileiro da Polymarket no Instagram (@polymarketportugues), que era utilizado para divulgar apostas sobre as eleições de 2026. A ação foi desencadeada após a Advocacia-Geral da União (AGU) acionar a pasta sobre a atuação da plataforma no país. O perfil, atualmente, está fora do ar. A AGU confirmou ao UOL que a Fazenda tomou as medidas necessárias para retirar as publicações do ar. "Informamos que a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda atuou para retirar as referidas postagens do ar", declarou o órgão.
No entanto, a AGU não especificou quais publicações foram alvo da medida nem confirmou se todas foram efetivamente removidas. A iniciativa ocorreu após o TSE levar o caso à AGU, que acionou a Fazenda em 11 de setembro. O documento faz referência a uma reportagem do Núcleo que revelou que a Polymarket continuava oferecendo apostas sobre a eleição presidencial brasileira e divulgando esse conteúdo nas redes sociais, mesmo já tendo sido alvo de bloqueio no Brasil. Desde abril, a Polymarket integra a lista de sites que a Fazenda tenta bloquear no território nacional. A Secretaria de Prêmios e Apostas considera ilegal a oferta de apostas sobre acontecimentos reais, como eleições, por empresas sem autorização para operar no país.
A plataforma estava entre 27 sites que tiveram o bloqueio solicitado à Anatel. Nas redes sociais, a pasta também havia pedido a remoção das contas da empresa por meio do Conselho Digital do Brasil, que reúne companhias como Meta, Google, TikTok e Discord. Apesar disso, um perfil da Polymarket voltado ao público brasileiro permaneceu ativo no Instagram, conforme levantamento do Núcleo citado pela Fazenda. Mais de 15 perfis de grande alcance firmaram parcerias com a Polymarket. Uma análise de 656 publicações feitas entre maio e agosto identificou uma rede de páginas e influenciadores que ampliava o alcance da empresa no Instagram. De acordo com o levantamento, as publicações não eram identificadas como publicidade.
Mais recentemente, contas estrangeiras no X também promoveram apostas sobre a eleição brasileira. Segundo a Folha de S.Paulo, ao menos 11 usuários publicaram, entre os dias 18 e 21, conteúdo pago sobre a alta de Flávio Bolsonaro (PL) nas apostas da Polymarket. A maioria das contas era ligada ao ecossistema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e algumas traziam elogios ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acompanhados de gráficos da plataforma. Empresas e redes sociais podem ser obrigadas a excluir publicidade de apostas irregulares após notificação da Fazenda. A legislação também prevê punições para quem divulga ou promove publicidade de operadores sem autorização para atuar no país. Ao cobrar uma resposta da Fazenda, a AGU pediu detalhes sobre possíveis medidas contra a Polymarket e seus parceiros, questionando se havia investigações, punições ou novas ordens de bloqueio e retirada de conteúdo enviadas à Anatel e às plataformas digitais. O UOL procurou a Polymarket e aguarda retorno.