PNAD aponta recorde de 103 mi ocupados no Brasil

Carteira de trabalho e desemprego | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Levantamento do IBGE mostra que o Brasil atingiu o maior número de ocupados desde 2012, com avanço expressivo da participação feminina
O Brasil registrou um recorde histórico de 103 milhões de pessoas ocupadas em 2025, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua — Características Adicionais do Mercado de Trabalho, divulgada nesta quarta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento aponta que esse é o maior contingente de ocupados desde o início da série histórica, em 2012. Ao mesmo tempo, o número de desocupados caiu para 6,1 milhões, o menor patamar já registrado pela pesquisa. A força de trabalho do país soma 109,1 milhões de pessoas, enquanto 65 milhões estão fora do mercado de trabalho. Em relação a 2012, o total de ocupados cresceu 15,4%, passando de 89,3 milhões para 103 milhões de trabalhadores. Os comparativos históricos desconsideram os anos de 2020 e 2021, uma vez que a pandemia de Covid-19 comprometeu a coleta e a divulgação dos dados nesses períodos.
Além do recorde de ocupação, a PNAD revela um avanço mais acelerado da participação feminina no mercado de trabalho. Em 2025, o país contabilizou 44,8 milhões de mulheres ocupadas, o equivalente a 43,5% da população ocupada. Desde 2012, a ocupação entre as mulheres cresceu 20,5%, com a incorporação de 7,6 milhões de trabalhadoras. Entre os homens, o total chegou a 58,2 milhões, ou 56,5% do total, com alta de 11,7% e acréscimo de 6,1 milhões de ocupados no período. O nível de ocupação da população brasileira chegou a 59,1% em 2025, alta de 0,5 ponto percentual em relação ao ano anterior. O indicador mede a proporção de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar. O resultado representa uma recuperação de 3,8 pontos percentuais em relação ao menor nível registrado pela pesquisa, de 55,3%, em 2017. Os dados também indicam redução da diferença entre homens e mulheres.
O crescimento da ocupação foi impulsionado principalmente pelos setores de serviços e administração pública. Entre 2012 e 2025, as áreas de administração pública, defesa, educação, saúde e serviços sociais adicionaram 4,9 milhões de trabalhadores. Os segmentos de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas incorporaram mais 3,8 milhões de ocupados no período. Em contrapartida, setores tradicionais perderam participação na estrutura do emprego. A agropecuária registrou redução de 2,3 milhões de ocupados entre 2012 e 2025, enquanto construção e serviços domésticos também apresentaram queda.
O avanço da escolarização da população brasileira também se refletiu na composição da força de trabalho. Em 2025, 43,6% da população ocupada tinha ensino médio completo ou superior incompleto, ante 35,7% em 2012. Considerando os trabalhadores com pelo menos o ensino médio completo, a parcela passou de menos da metade em 2012 para 68,5% em 2025. No mesmo período, a participação dos trabalhadores com ensino superior completo cresceu de 14,1% para 24,9%.
Por outro lado, caiu a parcela daqueles sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, de 32,6% para 18,3%. De acordo com o analista de pesquisas do IBGE, William Kratochwill, os dados refletem o aumento da escolarização dos jovens. "Quando observamos o recorte por nível de instrução, vemos que a escolaridade dos jovens tem aumentado ao longo dos anos. A permanência no ensino médio também vem crescendo, e esse movimento se reflete no mercado de trabalho", afirma o analista.
A composição do mercado de trabalho brasileiro também passou por mudanças nos últimos anos. Em 2025, os empregados continuaram representando a maior parcela dos ocupados, com 69% do total, percentual próximo ao registrado em 2012, quando a participação era de 70,7%. Já os trabalhadores por conta própria ampliaram sua presença de 22,4% para 25,4% no período. "Muitos que perderam uma ocupação e não podem deixar de ter um rendimento partem para um negócio próprio. Muitas vezes é comercializar alguma coisa, produzir algo para ser vendido", explica William.
Em sentido contrário, diminuiu a participação dos trabalhadores familiares auxiliares, que passou de 3% para 1,2%. Entre os empregados, o setor privado com carteira assinada permanece como o principal segmento, respondendo por 37,8% da população ocupada em 2025. A participação dos empregados sem carteira assinada chegou a 13,4%, enquanto os trabalhadores domésticos representavam 5,5% do total. Os empregados do setor público, incluindo servidores estatutários e militares, corresponderam a 12,3% dos ocupados. No setor privado, as microempresas continuam concentrando a maior parcela dos trabalhadores. Dos 84,6 milhões de empregados do segmento, 48,8% atuavam em estabelecimentos com até cinco pessoas ocupadas em 2025.
Outros 9,6% estavam empregados em empresas com seis a dez trabalhadores, 12,1% em negócios de 11 a 50 pessoas e 29,5% em empresas com mais de 50 empregados. Os dados da PNAD apontam não apenas para uma ocupação recorde, mas também para mudanças estruturais no perfil dos trabalhadores brasileiros, com maior participação feminina, aumento da escolaridade e crescimento do trabalho por conta própria ao longo da última década.