PMI de serviços do Brasil sobe em agosto

© Tânia Rêgo/Agencia Brasil
O PMI de serviços do Brasil avançou para 50,5 em agosto, superando a marca de 50 após retração em julho, segundo a S&P Global
O setor de serviços do Brasil registrou retomada do crescimento em agosto, após recuar em julho, impulsionado pela estabilização das novas encomendas e do emprego, além do avanço na confiança empresarial. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pela pesquisa do Índice de Gerentes de Compras (PMI), compilada pela S&P Global. O PMI de serviços do Brasil subiu para 50,5 em agosto, ante 49,7 em julho, voltando a superar a marca de 50 pontos que delimita a fronteira entre crescimento e contração. Ao longo de 2024, apenas julho havia registrado retração da atividade no setor. As empresas que apontaram desempenho mais forte em agosto atribuíram a melhora à ampliação de suas bases de clientes e à conquista de novos contratos. Ainda assim, o ritmo geral de crescimento foi considerado apenas marginal. As condições de demanda deram sinais de estabilização, com os volumes de novos negócios permanecendo praticamente estáveis em agosto, após registrarem a queda mais acentuada em dez meses no mês anterior. Parte das empresas relatou demanda mais forte e aumento no número de novas consultas de clientes, enquanto outras continuaram enfrentando dificuldades relacionadas a cancelamentos de projetos, pressões competitivas e inflação.
No mercado de trabalho, o nível geral de emprego no setor de serviços permaneceu inalterado em agosto, após quedas registradas em junho e julho. Algumas empresas sinalizaram aumento nas contratações para preencher vagas em aberto e repor funcionários desligados, enquanto outras reduziram seus quadros em meio a esforços de reestruturação e controle de custos. A confiança dos fornecedores de serviços brasileiros melhorou em agosto, atingindo o nível mais alto em três meses. A parcela de companhias que esperam aumento da atividade nos próximos 12 meses subiu de 29%, em julho, para 32%, em agosto. O otimismo foi sustentado pela expectativa de melhora das condições econômicas e pelo aumento da confiança do mercado após a eleição presidencial de outubro.
As pressões inflacionárias, no entanto, continuaram sendo um dos principais desafios para os prestadores de serviços no Brasil. Os custos de insumos seguiram em forte alta, embora o ritmo de aumento tenha desacelerado em relação a julho. As empresas relataram elevação nos preços de materiais como cabos, alimentos, componentes eletrônicos, tintas, têxteis e madeira, além de energia, financiamento, combustíveis, mão de obra, impostos sobre propriedades e transporte. Buscando proteger suas margens, as empresas repassaram parte do aumento de custos aos consumidores, intensificando a inflação de venda no período. Ainda assim, a proporção de empresas que elevaram seus preços (16%) permaneceu bem abaixo da parcela que relatou aumento de custos (41%). Apesar da melhora no setor de serviços, a atividade no setor privado brasileiro permaneceu em contração, pressionada pela retração na indústria.
O PMI Composto subiu a 49,1 em agosto, de 48,8 em julho, mas seguiu abaixo da marca de 50 pelo segundo mês consecutivo. "Para a economia como um todo, o setor de serviços ofereceu algum suporte, mas o setor privado permaneceu sob pressão devido à fraqueza da indústria de transformação. Uma recuperação provavelmente dependerá de uma demanda mais forte, da redução das pressões inflacionárias e de uma maior disposição das empresas para investir e contratar", disse Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence. O PMI de serviços retomou o crescimento em agosto, mas os desafios persistem. A combinação de pressões inflacionárias e fraqueza na indústria mantém o setor privado em território de contração, indicando que uma recuperação mais ampla da economia brasileira ainda depende de condições mais favoráveis à demanda e ao investimento.