PL lidera candidaturas ao Senado e mira maioria para fortalecer bolsonarismo

O senador Flávio Bolsonaro (à esquerda) ao lado do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto (Foto: Beto Barata/PL)
Com 33 candidatos registrados, o PL mira maioria no Senado para avançar no impeachment de ministros do STF e enfraquecer Alcolumbre em 2027
O Partido Liberal é a legenda com o maior número de candidatos ao Senado nas eleições de 2026. Com 33 nomes registrados na Justiça Eleitoral, o PL representa 10,4% do total de postulantes na disputa pela Casa Alta, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O partido, que tem Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência, faz da composição do Senado uma de suas principais prioridades neste pleito. A estratégia se justifica pelo papel central que os 81 senadores exercem em pautas prioritárias para o bolsonarismo, como a indicação e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A ofensiva começou a ser desenhada ainda em 2024, com indicações diretas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que escalou nomes da ala mais ideológica para a disputa, entre eles o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (SC) e os deputados federais Gustavo Gayer (GO) e Helio Lopes (RR).
STF e Alcolumbre no centro da disputa
Além da pauta do STF, o PL mira uma maioria no Senado para ter mais força nas eleições à presidência da Casa em 2027, quando Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) deverá tentar a reeleição.
A relação entre o partido e o senador amapaense entrou em rota de colisão durante a ofensiva pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, após a divulgação de conversas entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Em 2025, a bancada do PL havia apoiado Alcolumbre com aval de Bolsonaro. À época, bolsonaristas justificaram a decisão como forma de garantir o maior comando de comissões, sob a condição de que o senador não seguraria pautas desde que houvesse maioria.
Agora, líderes do partido no Congresso passaram a afirmar que, enquanto Alcolumbre for presidente, o impeachment do ministro "nunca será despachado".
Em 2023, o PL havia tentado eleger Rogério Marinho (PL-RN) para o cargo, mas perdeu para Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Na mira das críticas, Alcolumbre defendeu o magistrado e trouxe à tona o episódio em que Flávio Bolsonaro teria pedido mais de R$ 130 milhões a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse.
"Vou voltar para a pauta aqui, porque, senão, vou ter que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Eu acho, apenas um comentário, no momento adequado, vou falar. Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme e, agora, o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes. Mas vou fazer um relato de tudo o que quero falar", declarou o senador.
Crescimento expressivo de candidaturas
Neste ano, o Senado renova dois terços de sua composição. O mandato de senador é de oito anos, com cada estado tendo direito a três cadeiras, duas delas renovadas em uma eleição e uma na seguinte.
Nas eleições de 2022, quando apenas uma vaga por estado estava em disputa, o PL teve 17 candidatos e elegeu oito. Em comparação com o pleito atual, isso representa um aumento de mais de 94% nas candidaturas.
Já em relação a 2018, quando também havia duas cadeiras em disputa, o PL, então chamado de PR, tinha apenas oito candidatos e elegeu um.
Naquele pleito, Bolsonaro não era filiado ao partido: foi eleito presidente pelo PSL e migrou para o PL em 2021, após dois anos sem partido e uma tentativa frustrada de criar uma legenda própria.
Ao Metrópoles, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, disse que o PL estima ter entre 26 e 28 cadeiras a partir de 2027. Ou seja, espera eleger entre 10 e 12 senadores.
Atualmente, o partido já detém a maior bancada da Casa, com 16 senadores.
O Partido dos Trabalhadores, que em 2026 tenta reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato, tem 19 candidatos registrados segundo o TSE.
Somados ao PV e ao PCdoB, que compõem a Federação Brasil da Esperança, o total chega a 21 candidatos, uma queda de 24% em relação a 2018, quando o PT tinha 25 postulantes e elegeu quatro.
Em comparação a 2022, quando foram 11 candidatos e também quatro eleitos, o PT aumentou em 72% suas candidaturas.
Depois do PL, a Federação Psol-Rede e o União Popular ocupam o segundo e o terceiro lugar em número de candidaturas ao Senado, com 27 e 23 nomes, respectivamente.
Ambos os partidos de esquerda registraram quantidades expressivas nas últimas eleições, mas não elegeram filiados.
Os dados considerados são os disponíveis no TSE até as 12h30 de 3 de setembro de 2026, com a base ainda em atualização.