Irã diz que não quer guerra e cobra decisão dos EUA sobre conflito

Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian © Irã/WANA
Presidente iraniano afirma que o Irã não quer continuar o conflito, mas que a decisão de encerrá-lo cabe aos Estados Unidos
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou nesta quinta-feira (25) que cabe aos Estados Unidos decidir se desejam encerrar o conflito com o país persa. Em entrevista à emissora americana Fox News, o líder iraniano afirmou que o Irã não quer a continuidade da guerra.
A declaração ocorreu um dia após Pezeshkian adotar um tom desafiador em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, na quarta-feira (24), quando afirmou que o Irã não vai se "ajoelhar" diante dos Estados Unidos. O contexto da fala coincide com o reconhecimento do presidente americano Donald Trump de que Washington mantém conversas com Teerã.
"Quando as coisas podem ser resolvidas por meio do diálogo, não deveríamos nos matar. Mas, instigados por Israel, impuseram essa guerra a nós. Mas não queremos continuar. São os Estados Unidos que devem decidir se querem acabar com isso", disse Pezeshkian, segundo tradução da Fox News.
O presidente iraniano sinalizou ainda que seu país está disposto a chegar a um acordo com Trump para encerrar o conflito. Ao tratar do tema do cessar-fogo, Pezeshkian questionou as circunstâncias em que um acordo anterior teria sido desfeito pouco tempo após sua assinatura. "Por que, apenas duas semanas após a assinatura de um acordo, eles decidiram implodi-lo?", questionou.
Pezeshkian também deixou claro que o Irã estaria aberto a negociações com o governo americano, desde que dentro das normas internacionais. "Se o atual governo americano, dentro das estruturas jurídicas internacionais, quiser chegar a um acordo, perfeito. Caso contrário, antes ou depois das eleições legislativas americanas, que diferença faz para nós?", afirmou.
Houthis e a posição do Irã
O presidente iraniano também negou que os houthis, grupo rebelde que atua no Iêmen com apoio iraniano, recebam ordens diretas de Teerã. "Eles são responsáveis por seus próprios atos", declarou Pezeshkian. "Temos contato com eles. Não há uma relação sistemática."
Segundo Pezeshkian, o movimento houthi assumiu neste mês o controle do Estreito de Bab el-Mandeb em combates que deixaram centenas de mortos. O grupo também realizou ataques contra alvos na Arábia Saudita, incluindo a capital, Riad, pela primeira vez em anos.
As declarações de Pezeshkian ocorrem em meio a um cenário de tensão diplomática entre Irã e Estados Unidos, com os dois países trocando acusações na ONU enquanto, nos bastidores, mantêm canais de negociação abertos.