Paulinho e Cruzeiro negociam com foco em autonomia

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Ex-volante quer protagonismo no futebol celeste e negocia papel de liderança ao lado de Artur Jorge na montagem do elenco
A palavra que domina as negociações entre o Cruzeiro e Paulinho não é salário nem duração de contrato. O termo central nas tratativas dos últimos dias é apenas um: autonomia. O ex-jogador, que vem se destacando à frente do Mirassol como dirigente, é alvo do presidente Pedro Lourenço para reforçar a estrutura celeste nos próximos anos. Paulinho quer protagonismo e liberdade para ser o homem forte do futebol do Cruzeiro. A visão do ex-volante é liderar, ao lado do técnico Artur Jorge, a montagem do elenco para a próxima temporada, já que a expectativa é de reformulação no clube.
A ideia é atuar como um "presidente do CT", com acesso direto a Pedro Lourenço — o que é visto com bons olhos pela cúpula celeste. Inicialmente, foi divulgado que o cargo preparado para Paulinho seria o de coordenador técnico. No entanto, a tendência é que, em caso de aceite, o ex-meio-campista assuma um papel mais amplo do que simplesmente servir de elo entre o grupo de jogadores e a diretoria. Ele acumularia essa função com a responsabilidade de ser o rosto do clube no mercado de transferências e em decisões do cotidiano. A questão financeira não representa obstáculo para o alvo celeste. Paulinho construiu independência financeira ao longo da carreira como atleta, com passagens por mercados abastados como China e Arábia Saudita. A principal preocupação do ex-jogador, neste momento, é a projeção na carreira como dirigente.
Com a eventual chegada de Paulinho, o departamento de futebol do Cruzeiro passaria por uma reestruturação. Atualmente, Pedro Junio (vice-presidente de futebol) e Bruno Spindel (executivo de futebol) são os protagonistas do setor e reportam diretamente a Pedro Lourenço. O português Joaquim Pinto (diretor esportivo) também ganhou relevância nos últimos meses e é bem avaliado internamente.
Caso Paulinho seja contratado, Spindel tende a perder espaço na condução do clube no mercado de transferências e nos processos internos. Isso não seria necessariamente uma novidade para ele, que trabalhou ao lado de Marcos Braz por seis anos no Flamengo. No Rubro-Negro, Braz era o homem forte do futebol e liderava as negociações e a montagem do elenco, enquanto Spindel era uma peça importante, mas não ocupava o posto número 1 da área. Paulinho precisará se desvincular do Mirassol caso aceite o convite do Cruzeiro. Segundo apuração, isso não deve ser um problema significativo, e o dirigente poderá assumir uma nova função ainda neste ano. O Cruzeiro, porém, não é o único clube interessado no profissional.
Outras equipes brasileiras também o sondaram recentemente, como reconheceu o próprio Pedro Junio. "Cruzeiro tem tentado melhorar em todos os departamentos, quanto na parte técnica como em todos os outros departamentos. Paulinho é um grande profissional, hoje está no Mirassol, num grande clube, é um profissional de extremo gabarito, que tem muito mercado. Mas a gente trabalha de forma discreta, de forma interna, para a gente entender o que é melhor para o Cruzeiro no momento. Um nome importante, um nome interessante, que interessa não só ao Cruzeiro como a vários outros clubes", disse Pedro Junio, na tarde da última quarta-feira (23), em reunião pré-arbitral do Campeonato Mineiro 2027, na sede da FMF.